BGS 2018: Fumito Ueda diz que seus jogos buscam reproduzir experiências da infância

Criador de Shadow of the Colossus e outros clássicos defende experiência homem x máquina.

Criador de games como Shadow of the Colossus, Ico e The Last Guardian, Fumito Ueda sempre se notabilizou por trabalhos com uma assinatura minimalista, de poucos elementos e personagens.

Esse caráter mais introspectivo e solitário das jornadas reflete uma visão muito peculiar de Ueda sobre o que os games devem ser: uma experiência focada na interação homem e máquina onde o adversário do jogador é o computador, e não uma outra pessoa.

O diretor cresceu apaixonado por histórias assim e disse na primeira edição da BGS Summit, ciclo de palestras da Brasil Game Show 2018, que seus jogos buscam reproduzir esse tipo de experiência da sua infância.

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Só crio jogos que realmente acredito que vou me divertir jogando. A primeira coisa que penso é: se eu não fosse o criador desse jogo, eu pagaria para jogá-lo? Me lembro de quando era criança e jogar videogame era uma experiência de pessoa versus computador. Esse ainda é o tipo de experiência que eu gosto de ter hoje. E é por isso que meus jogos seguem esse princípio”, disse Ueda.

Apesar de seus games guardarem uma série de características estéticas em comum, como as cores mais opacas, traços ligeiramente borrados e cenários amplos, que transmitem a ideia de uma longa jornada, Ueda explica que essas características não são uma prioridade durante a criação dos seus jogos.

“Muitas pessoas falam da arte dos meus jogos, mas nem eu, nem meu time, pensamos muito nisso ao longo do desenvolvimento. Nosso grande objetivo é criar um game diferente, algo que ninguém tenha feito”, ele frisa.

O caráter minimalista é uma assinatura do diretor, mas além da escolha de fazer um jogo com menos elementos simultâneos, Ueda destaca que o orçamento limitado para a produção de seus jogos, especialmente nos casos de Ico e Shadow of the Colossus, foi um fator preponderante para que fossem encontradas soluções criativas.

Eu gosto muito do minimalismo, mas tem outra questão: eu e meu time tivemos poucos recursos para fazer esses jogos. Não é só uma questão de gostar ou não de fazer algo minimalista, mas sim de eliminar tudo aquilo que não é necessário e trabalhar em cima do que é possível produzir”.

A afirmação de Ueda está em sintonia com o que o próprio diretor já disse em entrevistas anteriores. Originalmente, Shadow of the Colossus foi planejado para ter nada menos do que 48 chefes.

Quando percebeu que o número era muito alto, Ueda reduziu os colossos para 24, mas apenas 16 entraram na versão final do jogo. Na internet, inclusive, é possível encontrar algumas imagens das oito criaturas que acabaram não sendo incluídas na versão final do jogo.

Sem olhar pra trás

As mudanças por conta de orçamento ou tempo parecem não tirar o sono de Ueda. Em sua apresentação na BGS Summit, explicou que depois de concluir um jogo, procura não olhar para atrás para ver o que poderia ter sido feito diferente.

Quando termino um jogo, tento não pensar em algo que já não pode mais ser mudado. Se alguma ideia não foi aproveitada, direciono minhas energias para o jogo seguinte. No período que o desenvolvimento de The Last Guardian ficou em hiato, por exemplo, fiquei pensando em novos jogos”, revela.

E a abordagem também vale para Ico e Shadow of the Colossus:

“Ico tinha muitos elementos de arte, mas o jogo ainda deixava a desejar em gameplay. Em termos de game design, pra mim, faltou muita coisa. Por isso, decidi explorar mais essa parte em Shadow of the Colossus. As ideias foram se expandindo e resultaram no que vemos no jogo”, diz.

Ueda disse que não tem nenhuma influência específica para seus jogos, mas reiterou que as experiências que teve ao longo de sua vida como jogador, especialmente na infância, ajudaram a moldar sua visão.

Ele também se revelou um grande fã de jogos da série Prince of Persia e das animações do Studio Ghibli, responsável por sucessos como Meu amigo Totoro, Princesa Mononoke e A viagem de Chihiro. De quebra, o diretor ainda revelou que trailers de filmes e jogos o instigam a criar.

Os trailers são apenas uma parte do filme ou jogo, mas eu gosto de ficar imaginando na minha cabeça o que vai acontecer e preencher aquelas lacunas. Na maioria das vezes, a versão final é diferente do que eu imaginava. Mas eu fico pensando: ‘nossa, seria tão interessante se esse jogo fosse como eu imaginei’, e aí eu começo a trabalhar em algumas ideias”, comenta.

No fim de sua participação na BGS Summit, Ueda deixou uma mensagem sobre sua definição do que são os jogos. Para o diretor, eles representam uma forma de incentivar pessoas a enfrentarem a realidade.

“Eu ficaria extremamente feliz se o jogo que eu estou desenvolvendo ajudasse uma pessoa a seguir em frente na vida, mesmo depois de terminá-lo. Se eu crio um jogo capaz de fazer isso, eu sou uma pessoa extremamente feliz”.

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PlayStation 4, PS2, PS3

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