BGS 2018: Yoshinori Ono conta curiosidades de Street Fighter na BGS Summit

Produtor de franquia fez até piada com o grande número de versões de alguns jogos da série.

É impossível ficar indiferente a Yoshinori Ono.

O produtor de Street Fighter chegou acelerado à primeira edição da BGS Summit, ciclo de palestras da Brasil Game Show 2018, fazendo piada do enorme número de versões de cada jogo da franquia, um quiz sobre os 30 anos de história da série e soltando várias curiosidades, como os problemáticos fliperamas do primeiríssimo Street Fighter.

A BGS 2018 acontece entre 10 e 14 de outubro no Expo Center Norte, em São Paulo. Clique aqui para comprar ingressos.

Falante do início ao fim, Ono fez uma verdadeira linha do tempo de uma série que se tornou um símbolo dos jogos de luta. Mesmo entre quem não é tão ligado a esse universo, é comum encontrar pessoas que saibam golpes como hadouken ou shoryuken ou reconheçam personagens como Ryu, Ken e Chun-Li quando os veem, e Ono considera que o fato de o jogo ganhar novas versões constantemente contribuiu para isso.

Algum de vocês sabe quantos jogos já foram lançados de Street Fighter? Eu mesmo já perdi a conta. Esse grande número de versões atualizadas dos jogos era muito comum antes de a internet se tornar parte dos jogos. Hoje, você pode simplesmente lançar atualizações via download, mas na época de Street Fighter II, por exemplo, cada novidade no jogo exigia uma nova versão”, explica.

Ao todo, Street Fighter II ganhou nada menos do que sete versões incluindo a mais recente, Ultra Street Fighter II, uma versão bombada de Super Street Fighter II HD Remix que conta com o acréscimo dos personagens Evil Ryu e Violent Ken.

Além das versões oficiais do jogo de luta, Ono brincou com as edições modificadas que o jogo ganhou no Brasil e acabaram ficando conhecidas como “Street Fighter de boteco” e “Street Fighter de rodoviária”.

Esses mods de Street Fighter permitiam alguns absurdos dentro das lutas, como disparar hadoukens com Zangief enquanto o personagem russo soltava seu movimento giratório. Ou liberar uma chuva de hadoukens em sequência com Ryu.

Eu sei que foram vendidas muitas cópias piratas aqui, mas isso para mim não é um grande problema, pois mostra que as pessoas querem curtir o jogo. Mas o presidente da Capcom ficou bastante nervoso com isso naquela época”, brincou Ono.

O primeiro Street Fighter, ponto de partida da série, não é tão conhecido quanto os demais jogos, mas abriu caminho para a franquia e lançou muitas das bases que seriam aprimoradas em Street Fighter II, título que definitivamente popularizou a série no mundo inteiro.

No entanto, quando foram lançados os primeiros fliperamas de Street Fighter, a fragilidade dos botões rendeu algumas dores de cabeça.

“Essas máquinas foram bem problemáticas no Japão. Depois de algum tempo de uso, os botões simplesmente quebravam. Foi aí que trocamos o sistema de dois botões por um de seis botões, com socos e chutes fracos, médios e fortes, e que permanece até hoje”, disse Ono.

Com Street Fighter II, Ono explicou que o título popularizou não só a série da Capcom, como também todo o gênero de jogos de luta. Na avaliação do produtor, o sistema de combate acessível atraiu diferentes tipos de público.

Street Fighter II foi um jogo que atraiu crianças e adultos, inclusive muitos que nem costumavam jogar videogame. Quando o jogo foi lançado para os consoles, foi uma febre.”

Após o enorme sucesso de Street Fighter II, a série acabou seguindo um caminho diferente nos jogos seguintes.

Com a série Street Fighter Alpha, cujos eventos servem como um prólogo da franquia, a Capcom apostou num visual mais próximo dos animes, apresentou vários personagens novos e aprimorou o sistema de combos, inclusive com especiais que permitiam ao jogador sua própria sequência de golpes especiais.

Street Fighter II fez tanto sucesso que sentimos que era a hora de aprofundar mais a história dos personagens. Muitas das coisas que incluímos na série Alpha serviram de base para os jogos seguintes, como Street Fighter III”, pontua.

No entanto, embora Street Fighter III tenha incluído vários elementos inovadores em seu sistema de combate e seja considerado por muitos fãs o game mais técnico de toda a franquia, Ono disse que SFIII teve como principal obstáculo a aceitação do público casual.

“Street Fighter III era um jogo muito difícil e muito técnico para a maioria dos jogadores. Muitas pessoas que conheceram a série em Street Fighter II não se adaptaram bem às novas mecânicas. O jogo acabou atraindo mais quem gostava de praticar muito e dominar o sistema de combate”, ele diz.

Apenas em 2008, com o lançamento de Street Fighter IV, a série conseguiu conquistar novamente um grande público. E como qualquer jogo nascido no fim dos anos 2000, o quarto episódio da série principal foi pensado também para partidas online. Outra aposta foi o resgate de vários personagens queridos pelos fãs, cujas ausências foram bastante sentidas em Street Fighter III.

E além de servir como uma volta às origens, Street Fighter IV foi o jogo que fez a Capcom apostar de vez no mercado dos eSports com a inauguração da Capcom Pro Tour, em 2012. Com a possibilidade de realizar partidas online, o cenário se expandiu rapidamente.

Com Street Fighter IV, a Capcom passou a investir mais nos eSports, e desde 2012 temos um calendário próprio com vários torneios ao redor do mundo. A internet mudou a forma das pessoas jogarem”, destaca.

Já no fim da palestra, Ono enfatizou que Street Fighter V foi produzido para tornar o jogo ainda mais simples e acessível aos novatos, praticamente o oposto do que foi feito com Street Fighter III. Com combos mais fáceis de serem executados e novas funcionalidades, como o V-Trigger, ele disse que o game agregou muitos novatos à comunidade.

Fizemos Street Fighter V para que ele fosse um jogo mais acessível, pois nos títulos anteriores a vantagem dos veteranos era muito grande. Tornamos o jogo mais fácil para os novatos com o objetivo trazer novos fãs. Nos grandes torneios, por exemplo, vários veteranos foram surpreendidos por jogadores até então desconhecidos”, argumenta Ono.

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BGS 2018, PC, PlayStation 4, Retrogaming, Switch, Xbox One

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