REVIEW

Assassin’s Creed Odyssey review — Admiração e glória

  • Data de Lançamento: 05/10/2018
  • Data do Review: 5 de outubro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Viva a sua própria odisseia.

por Alessandro Fillari em 1º de outubro, 2018

traduzido por Bruno Araujo em 5 de outubro, 2018

Assassin’s Creed Origins foi um reboot sutil que introduziu uma nova abordagem para o gameplay de furtividade e ação que é a marca da série – e isso junto de um mundo aberto vibrante e expansivo com muitos sistemas dinâmicos trabalhando. Na sequência deste ano, Assassin’s Creed Odyssey, a desenvolvedora Ubisoft Quebec trabalha em cima dos pilares do seu predecessor. E, no processo, mostra maior confiança na nova direção da série Assassin’s Creed.

Ambientado na Grécia Antiga, Odyssey antecede o jogo anterior em vários séculos. Durante a Guerra do Peloponeso, em 431 a.C., você assume o papel de Alexios ou de Kassandra, irmãos e antigos espartanos transformados em mercenários. Se mantendo em sintonia com a tradição da série, Odyssey conta com tramas paralelas: a narrativa principal acontece no passado distante enquanto que o roteiro geral se passa no presente.

Após momentos cruciais tratando de intrigas políticas e conflitos de guerra na Grécia, você volta aos dias atuais para continuar a história de Layla Hassan, apresentada em Origins, que trabalha para descobrir os segredos da primeira civilização. Nas suas viagens à Grécia Antiga você vai descobrir tumbas perdidas, entrar em conflitos navais em alto-mar e assassinar membros importantes de uma conspiração sombria em busca de poder.

Assassin's Creed Odyssey

Na sua jornada pela Grécia continental e pelas ilhas do Mar Mediterrâneo, você vai se deparar com diversas localidades que destacam os ambientes de ostentação que prestavam homenagem aos velhos deuses. Ao mesmo tempo, vai esbarrar com muitas figuras históricas da época tentando deixar sua marca na sociedade grega.

A quantidade de detalhes colocada em cada local é impressionante e unida por um ecossistema ativo e dinâmico onde vida selvagem local e civis mantêm seus territórios. Mas conforme você se aprofunda, vê em primeira mão o cotidiano difícil e a realidade da vida na Grécia Antiga, com direito aos horrores da escravidão e a onipresente guerra entre os militarizados espartanos e o burocrático exército ateniense.

Com um mapa mais de duas vezes maior que o do jogo anterior, Odyssey é construído para ser explorado – e com direito a situações incidentais que recompensam sua sede por viajar. Fica-se com a impressão de que suas ações têm um impacto profundo por onde você passa, e Odyssey oferece muito conteúdo para alimentar seu crescimento em ritmo constante.

E apesar do nível do seu personagem barrar seu progresso ocasionalmente, evitando que você explore ativamente qualquer região da forma como quiser, é possível tirar uma folga da história principal e mergulhar na vastidão de atividades paralelas ao seu bel-prazer. Muitas missões opcionais oferecem uma série de momentos profundos e emocionantes, com direito a algumas das melhores cenas de Odyssey.

Ao longo da aventura principal e das histórias paralelas, você irá tomar várias decisões chave que afetam a narrativa do game e a jornada do seu personagem. Enquanto muitas das escolhas são majoritariamente inconsequentes e resultam apenas em finais ligeiramente diferentes para as missões, as decisões que realmente importam podem levar a desfechos drásticos, com algumas tramas e personagens encontrando seus respectivos fins prematuramente.

Quando você menos esperar, vai presenciar o resultado de escolhas feitas muito antes, para o bem e para o mal. E com nove conclusões possíveis para a história principal, há causa e consequência suficientes para que a narrativa se transforme em algo seu.

Os protagonistas diferentes também proporcionam alguns dos momentos mais divertidos e cativantes de Odyssey. Apesar da natureza sombria do jogo, piadas e brincadeiras sempre quebram a tensão – até mesmo durante situações sérias. E mesmo com Kassandra e Alexios compartilhando os mesmos diálogos e situações, a diferença de gênero, de personalidade e até de pontos de vista trazem um sabor único que os separam – algumas cenas e ramificações da trama, inclusive, soam mais apropriadas com um ou com outro.

Namorar com personagens secundários também é possível em Odyssey. Enquanto algumas dessas cenas podem ser engraçadas, elas geralmente são demonstrações bizarras de afeto que não têm um propósito real. Essas cenas quase sempre resultam em um flerte superficial durante uma conversa, com os dois personagens escapulindo da cena por alguns instantes antes de retornar como se nada tivesse acontecido.

É bem comum que essas oportunidades esquisitas de romance apareçam imediatamente depois (ou durante) circunstâncias angustiantes. E tirando a oportunidade de ver algumas cenas adicionais com certos personagens, não há nenhum beneficio em arranjar qualquer tipo de crush. Essas cenas soam baratas e são capazes de manchar conversas que, até ali, eram interessantes.

Conforme você descobre mais desse mundo e avança na história principal, novas mecânicas de gameplay e oportunidades paralelas aparecem, dando ainda mais incentivo à exploração. Quando a conspiração que ameaça a Grécia se revela, você vai poder rastrear suas peças principais por meio de uma grande rede que mostra suas conexões a outros alvos e detalha formas de obter inteligência para encontrá-los.

Mas em uma das missões mais complicadas do jogo, você vai encontrar várias bestas mitológicas escondidas pelo mundo. Esses são alguns dos encontros mais memoráveis e inventivos de Odyssey, onde a força bruta nem sempre é a saída.

O mundo na Grécia Antiga é muito mais reativo em comparação aos Assassin’s Creed anteriores, e você fica com essa impressão de que suas ações terão um impacto profundo por onde você passar. Basta começar a causar muito problema para atrair a atenção de mercenários rivais em busca de um prêmio pela sua vida. De forma parecida com o sistema Nêmesis de Sombras da Guerra, mas não tão sofisticada, Odyssey apresenta um arsenal quase que infinito de antagonistas, cada qual com suas próprias histórias, forças e itens em potencial.

Se você estiver com uma recompensa na cabeça, os mercenários costumam aparecer rapidamente. Isso leva a encontros irritantes já que eles podem aparecer nos piores momentos possíveis – ou até mesmo durante missões da história principal. Se essa ânsia dos mercenários for demais, você pode ficar na surdina até a recompensa ser cancelada, assassinar um outro criminoso procurado ou até mesmo pagar seu próprio prêmio no menu do jogo.

Uma das características mais espertas de Odyssey é o novo Modo Exploração. Com essa opção ativada, você é desafiado a usar suas habilidades de observação e dedução para encontrar o próximo alvo sem a ajuda de ícones ou setinhas. Ao interagir com os personagens que fornecem missões, você vai aprender detalhes sobre o ambiente onde está e lentamente montar seus próximos passos. O Modo Exploração eleva o prazer de resolver quebra-cabeças e faz com que cada passo da sua investigação seja mais recompensador.

Em termos de combates, Odyssey mantém a tendência recente de incorporar mecânicas baseadas em estatísticas e atributos. Em comparação com jogos anteriores, agora existe um foco maior em modificar seu personagem para os desafios que estão por vir. Você também pode construir seu personagem para que ele se especialize em furtividade, em ataques à distância ou em combates mano a mano – e tudo isso pode ser rearranjado a qualquer momento.

Você pode criar um personagem tão forte quanto um guerreiro espartano que empunha uma lança lendária e usa o chute do Rei Leônidas, de 300, para jogar seus inimigos de um penhasco. Mas também está livre para se manter ao arquétipo tradicional de Assassin’s Creed.

Isso abre muitas oportunidades para experimentar com movimentos especiais e equipamentos, sendo que estes podem ser personalizados com vantagens que garantem bônus únicos. Odyssey não conta mais com os escudos introduzidos em Origins e, como resultado, os combates rolam em ritmo rápido. Ao colocar uma ênfase maior em esquivar e rebater ataques dos inimigos, as lutas ficam mais envolventes e dinâmicas.

Há momentos em que Odyssey vai esbarrar em esquisitices oriundas do encontro de suas mecânicas de RPG com o gameplay de ação – é o caso de alguns assassinatos que não podem ser executados por conta de um nível baixo – mas o jogo compensa isso ao dar opções de evitar esses encontros desengonçados.

A navegação e os combates em alto-mar também retornam em Odyssey. Conforme você acumula recursos e encontra novos membros para se juntar à sua tripulação, você pode personalizar e melhorar seu navio, a Adrestia, para encarar desafios maiores.

Assim como em Black Flag e Rogue, a vida marítima proporciona alguns dos momentos mais bonitos e animados do jogo, seja encontrando tesouros enterrados no oceano, seja enfrentando embarcações rivais cada vez mais agressivas. Com o passar das suas viagens, você poderá recrutar novos tenentes e somar atributos bônus ao seu barco, criando mais chances de enfrentar de igual pra igual as grandes ameaças do mar.

O escopo de Odyssey é enorme e, na maior parte do tempo, é bem apresentado. Mas algumas das inovações que buscam aproveitar essa escala do mundo, entretanto, ficam um pouco perdidas no grande esquema das coisas. Com a guerra crescente entre espartanos e atenienses, você pode escolher um dos lados em um conflito e desmantelar a influência da outra facção na região. Nessas batalhas de Conquista, você opta por um lado e enfraquece o exército inimigo assassinando seus líderes e roubando seus recursos. E tudo culmina em uma batalha de grande escala.

Enquanto essa é uma forma sólida de ganhar recursos e aumentar sua relação com uma facção, as mecânicas e a sua implementação nos sistemas gerais de Odyssey fazem da Conquista algo mais ou menos, na melhor das hipóteses, e sem sentido algum, na pior delas.

Em alguns casos mais bizarros, o jogo e sua narrativa não parecem levar a Conquista a sério. Especialmente quando a história principal coloca você pra ajudar uma facção em particular, apesar do conteúdo secundário naquela região agir ativamente contra ela. Isso cria uma sensação dissonante ao longo das suas aventuras. Odyssey tem de constantemente se esforçar para fazer sentido da gameplay de guerra dentro do contexto da sua narrativa central, o que é um pouco desapontador.

Ao olhar Odyssey como um todo, a impressão é que ele tem muito game para o seu próprio bem. Existem vários momentos onde o ciclo de explorar, completar missões e viajar pode diminuir o ritmo de jogo significantemente. Isso é exacerbado pelo mapa enorme, que em algumas situações parece excessivamente grande e um baita trabalho para cruzar.

Também existem certos bugs notáveis que aparecem com frequência, desde aqueles que evitam salvar seu progresso até outros que travam o jogo direto.

Por vários momentos da jornada a progressão foi muito cansativa. Por isso, situações que eram para ser divertidas e impactantes acabaram ficando chatas demais. Apesar disso, a ambição de Assassin’s Creed Odyssey é admirável. E isso se reflete na sua profunda atenção aos detalhes dessa era e na abordagem para lidar com uma narrativa multi-facetada liderada por dois fortes protagonistas.

Enquanto sua campanha de larga escala, de cerca de 50 horas, pode ser ocasionalmente cansativa e algumas de suas características não terem o impacto que deveriam, Odyssey faz grandes avanços em seu mundo massivo e dinâmico. E é uma alegria poder se aventurar por ele e deixar uma marca nesse cenário de constantes mudanças.

Acompanhe o GameSpot Brasil no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Twitch.

6 0
Ver comentários ()

Assassin’s Creed Odyssey / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Mundo aberto massivo pronto para ser explorado e com muitas vistas e surpresas para serem descobertas.
Versão incrivelmente detalhada e vibrante da Grécia Antiga.
Grande narrativa com muitas opções interessantes e protagonistas divertidos e inteligentes.
Missões principais e secundárias memoráveis, capazes de tratar de personagens diversos e temas complexos de uma era.
Pontos Negativos
A campanha já é enorme, mas seu ritmo lento pode torná-la ainda mais arrastada.
O gameplay de facções desaponta e parece incompleto dentro dos outros sistemas do jogo.
8
Bom
Participe da Conversa

Assassin’s Creed Odyssey

  • Data de Lançamento: 05 de outubro, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    O mundo dos assassinos invade a Grécia Antiga.
    Desenvolvedora:
    Ubisoft
    Publisher:
    Ubisoft
    Gênero(s):
    Ação, Aventura
    Pendente