REVIEW

Dead Cells review — Levante de sua cova!

  • Data de Lançamento: 10/05/2017
  • Data do Review: 6 de agosto, 2018
  • PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Vendas da morte.

por Daniel Starkey em 6 de agosto, 2018

traduzido por Pedro Scapin em 6 de agosto, 2018

Escondido em uma prisão há muito esquecida jaz um cadáver. De tempos em tempos, uma massa verde grudenta entra na cela e dá vida ao corpo. Marchando em frente, a carniça blindada avança sobre zumbis e hordas de mortos-vivos em uma missão inútil de encontrar a saída. Os fãs de Dark Souls notarão… mais que algumas poucas similaridades, com certeza, mas essa caminhada em particular não é o que parece ser.

Dead Cells é uma mistura fascinante de vários dos gêneros indie mais populares da atualidade. Ele equilibra elementos de jogos dificílimos e plataformas de exploração inspiradas em Metroid, com as fases e itens geradas aleatoriamente encontrados em roguelikes. É impressionante como tudo se encaixa sem dificuldade, especialmente levando em conta o crescimento constantes dos personagens encontrados em jogos como Dark Souls e Metroid conflitam diretamente com os reset emblemáticos de jogos roguelikes.

O equilíbrio encontrado aqui é uma das oportunidades desbloqueadas. Cada vez que seu avatar volta à vida, você ganha uma nova chance de encarar as fases. Você as encontra sequencialmente, então você tem uma ideia do que o aguarda, mas suas escolhas em cada uma delas determinam seu caminho final. Então, por exemplo, enquanto a primeira fase é sempre o Prisoner’s Quarters, mas seu próximo salto pode levá-lo a Promenade of the Condemned ou aos Toxic Sewers. No início, apenas o primeiro estará disponível. Mas, com o tempo, você ganhará runas que causam mudanças permanentes e abrem novas rotas.

Então, enquanto alguns roguelikes e até Dark Souls podem, em teoria, ser terminados de uma vez sem morrer, isso (pelo menos o que nós vimos) não pode acontecer aqui. Você deve progredir, morrer, e então recomeçar para se arrastar por diferentes rotas, coletando melhorias cruciais que te dão ainda mais opções.

Ao longo do caminho, é claro, você terá um inventário embaralhado com novas armas e habilidades encontradas em baús e lojas. Você também pode pegar melhorias de status que você perde ao morrer assim como “células”, que, se você sobreviver à atual fase em que estiver, podem ser trocadas para desbloquear itens raros que serão adicionados à loteria de equipamentos e bônus permanentes em potencial como itens de cura adicionais.

Além do embaralhamento de inventário e fases, o combate e o sistema de navegação são os aspectos mais cruciais para você dominar. E enquanto Dead Cells executa muito bem todas as suas mecânicas, estas duas brilham mais. Para começar, atravessar as fases é um processo suave e rápido uma vez que você pega o básico. Seu movimento é preciso, com piedade suficiente para tornar cada salto exigente, mas ainda assim, alcançável. E isso se mistura perfeitamente com a ação.

Os inimigos responderão à sua presença de diferentes maneiras. Alguns não podem te ver até que você esteja em sua plataforma e em sua linha direta de visão, enquanto outros jogarão granadas em você de longe, mas não podem te atacar diretamente. Seu objetivo é ler a tela e entender as diferentes habilidades de cada tipo de inimigo, e usar esta informação para pensar e executar a melhor aproximação.

Outras incontáveis variáveis, como a presença de portas (que podem ser abertas lentamente para um ataque surpresa ou chutadas para um ataque deslumbrante) trabalham juntas para misturar as coisas. Piscinas tóxicas, pisos cobertos de espinhos, e etc. criam a mescla certa de obstáculos e inimigos desafiadores. Isso também se encaixa com o tom e o visual geral de Dead Cells. Cada inimigo brilha um pouco e tem uma silhueta e esquema de cor diferentes. O mesmo vale para as fases em si. Juntos, esses sistemas tornam intuitiva a leitura do ambiente enquanto o jogador se mantém focado no combate ridiculamente veloz sem tirar o olho de seu próximo alvo.

Isto é especialmente crítico por conta do vigoroso ritmo das lutas, também. Na maioria das vezes, você terá duas armas, ou uma arma e um escudo. Isso, aliado com pular e esquivar, forma o núcleo de suas habilidades. Uma vez que você o entende, pode combinar sem esforço ataques e esquivas, e, por exemplo, congelar um inimigo com um feitiço antes de rolar para suas costas e desferir uma rápida saraivada de golpes. Tudo isso parece caótico no começo. E o é, até certo ponto. Cada peça deste quebra-cabeça é introduzida gradualmente, para que você aprenda muito naturalmente como ela se encaixa no panorama geral.

Sua crescente exploração através do Prisoner’s Quarters e de outros mapas do início do jogo pode levar cerca de 10 minutos durante suas primeiras viagens. E isso é agonizante também. Você está vulnerável, altamente impotente, e sem saber nada de seus arredores bem perigosos. Tanta coisa não é explicada, que a escolha de apenas ir e se preocupar com o resto depois chega instintivamente. Ainda assim, o ato de ir não é fácil e você terá dificuldades com isso. Pelo menos no início.

Mas cada rodada te dá um novo conjunto de brinquedos para brincar. O cenário mudará a cada vez. Um rota vem e vai, talvez um novo tesouro ou covil de inimigos tome seu lugar. Mas isso não importa de verdade. O Prisoner’s Quarters, enquanto único a cada nova jogatina, mantém um tema persistente. A música melancólica e as ideias básicas são as mesmas. Através da repetição, você ganha não uma memorização crua dos layouts, mas a capacidade de levar quaisquer armas que vierem e usá-las da melhor maneira possível. Resumidamente, o que levava 10 minutos no início, dura apenas 30 segundos quando você a domina.

O que nem sempre acontece do mesmo jeito, entretanto, são as áreas posteriores. Menos oportunidades de se praticar com inimigos mais fortes significa que ele nunca desenvolvem o mesmo nível de familiaridade. Isso mantém tensão e empolgação em cada tentativa, mas também pode gerar uma certa frustração. Passar uma tentativa inteira para chegar naquele ponto específico apenas para morrer e ter que começar de novo um processo de 15 minutos pode ser irritante, mas o ponto positivo fica nas melhorias permanentes.

Mesmo que você não consiga chegar tão longe, o Prisoner’s Quarters é simples o suficiente para que você tenha várias oportunidades de trocas “células” pelas supracitadas melhorias. Isso dá uma sensação de progresso constante, mesmo que você falhe numa tentativa. Na verdade, o único problema de verdade com a aventura é que alguns dos melhores upgrades levam bem mais tempo do que deveriam para serem conseguidos. Isso emperra um pouco o progresso no meio do jogo e pode uma leve irritação. Além disso, entretanto, Dead Cells é é um esforço fenomenal para misturar gêneros tão diferentes e algo coeso. É um dos melhores exemplos de como criar novas versões de ideias já existentes sem perder suas forças individuais.

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8 0
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Dead Cells / PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Pontos Positivos
Ação satisfatória que foca no desenvolvimento de habilidades
Mistura excelente de gêneros e ideias de game design
Fases geradas aleatoriamente que, mais frequentemente do que não, são bem construídas
Pontos Negativos
Ritmo inconstante
9
Muito Bom
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Dead Cells

  • Data de Lançamento: 7 de Agosto, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Switch
    • Xbox One
    Dead Cells é um jogo indie da Motion Twin herdeiro do estilo Metroidvania, que une elementos de ação e RPG. No game, que mescla pixel art com elementos 3D, o jogador controla uma massa de células que controlam o corpo de um prisioneiro morto, e progride colecionando armas, habilidades e novos poderes conforme progride no jogo.
    Desenvolvedora:
    Motion Twin
    Publisher:
    Motion Twin
    Gênero(s):
    Ação, Aventura, RPG
    14 anos
    Violência