REVIEW

Fornite: Battle Royale review – Construir para destruir

  • Data de Lançamento: 26/09/2017
  • Data do Review: 9 de Abril, 2018
  • Android, iOS, PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Com as pedras que me atiram eu construo meu castelo.

por Michael Higham em 9 de abril, 2018

traduzido por Bruno Araujo em 9 de Abril, 2018

Para um jogo há tanto tempo em desenvolvimento como um shooter cooperativo contra hordas, a notável e relativamente rápida adição de um modo battle royale em Fortnite parecia ser uma forma de capitalização em uma tendência. No entanto, seu sistema simples de construção e as mecânicas simples de tiro não só separam Fortnite de outros jogos similares, mas trabalham bem para fazer dele uma experiência única e surpreendentemente profunda de partidas deathmatch.

Tudo na apresentação de Fortnite tem um tom alegre e despreocupado. Você começa a partida pulando de um ônibus de festa suspenso por balões que sobrevoa o mapa enorme do jogo. Armas, munição e itens de saúde povoam as cidades desse mundo, todas batizadas com nomes bobinhos — Cidade de Tomates, Minas Matreiras, Bosque Gorduroso, entre outros.

Mesmo os inimigos não morrem, eles são teletransportados após serem nocauteamos. Tesouros valiosos podem ser encontrados dentro de piñatas em formato de lhamas. Jogadores constroem estruturas básicas do nada, enquanto a mira do jogo faz uma prévia da sua posição no mundo. Mas não deixe essa primeira impressão te enganar. Quanto mais tempo você fica numa partida, mais vai poder observar como os elementos de gameplay de Fortnite precisam ser usados de maneiras inteligentes e complexas para atingir a vitória.

Uma característica única de Fortnite é seu sistema de construção simplificado, composto de quatro componentes: paredes, rampas, pisos e telhados. Eles são construídos com três tipos diferentes de materiais que podem ser coletados com uma picareta ou encontrados espalhados pelo mapa. Madeira, pedra e metal tem propriedades únicas em termos de durabilidade e velocidade de construção. E você pode modificar ainda mais essas estruturas para que elas tenham janelas e portas. Parece confuso, mas graças a um esquema de controle intuitivo e o sistema de construções baseado em quadrados, aprender a construir não é um grande obstáculo.

De primeira, é como se o mundo Salve o Mundo do Fortnite original tivesse suas mecânicas jogadas a esmo em partidas para 100 jogadores em que o último sobrevivente vence. Mas essa é a fundação que permite uma infinidade de possibilidades táticas, como criar uma escada arranha-céu para subir uma montanha e ganhar uma posição de vantagem. Ou fabricar uma proteção para se proteger enquanto você corre por um espaço aberto para se aproximar dos adversários. Ou seja, pular entre montanhas pode transformar tiroteios à longa distância em batalhas próximas. O sistema de construção dinâmica de Fortnite sempre dá a oportunidade de improvisar, mesmo quando você pensa que está encurralado.

Por exemplo, os jogadores costumam se proteger com estruturas que funcionam como bunkers improvisados. Pra acabar com isso, você pode pressioná-los e construir sua própria sequência de rampas por cima do seu território para forçar uma luta mais justa e eliminar um adversário que até então estava bem protegido. Nesse momento, a natureza intrinsecamente recompensadora de Fortnite brilha. Conflitos não são apenas sobre atingir o inimigo primeiro com um tiro preciso. Ser esperto e saber improvisar com o conjunto de ferramentas que você tem te coloca no caminho do sucesso. Eliminações e vitórias têm um sabor especial, especialmente porque o fim do jogo é formado pelos jogadores e esquadrões com a melhor astúcia arquitetônica.

A construção é um imperativo para a vitória, mas a destruição também. Todo objeto no mundo de Fortnite pode ser destruído. E mesmo com os jogadores criando construções formidáveis de defesa, ninguém está seguro por muito tempo durante as batalhas. Um foguete bem disparado ou uma granada pode rapidamente desmontar um forte grande e complexo. E se uma torre de vários andares não tiver uma fundação forte, atirar nela por baixo vai trazer todos que estão lá em cima de volta ao chão. Mesmo táticas mais sutis, como destruir uma única parede e construir uma rampa para invadir um castelo inimigo, se provam efetivas.

As abordagens de combate também dependem das armas que você encontra. Um arsenal típico de rifles, submetralhadoras, espingardas e pistolas são classificados em cores que indicam seus vários níveis de poder e raridade. Cada arma tem uma utilidade mais específica, mas armadilhas e explosivos servem em quase todas as circunstâncias. Esse é outro aspecto de Fortnite que diverge da maioria dos games battle royale. Atirar é rápido impreciso, como um shooter de arena. Tiroteios à média distância e combates mano-a-mano parecem mais uma dança fatal entre as estruturas erguidas pelos cenários. Sair pulando com uma espingarda em mãos é comum quando você enfrenta um adversário de perto e disparar sem dó com os rifles de assalto é padrão. Fortnite não é um shooter tático nos moldes tradicionais, mas oferece sua própria gama de estratégias para manter os jogadores atentos.

Confrontar os inimigos ainda tem o mesmo risco que você espera de jogos dessa natureza, já que há apenas uma vida por partida e é relativamente rápido matar um adversário. Mesmo com a saúde inteira e um escudo equipado, tiros bem posicionados de uma arma épica ou lendária vão resolver a parada na maioria dos casos. Entretanto, o ritmo energético das partidas substitui a tensão da sobrevivência por uma frequências maior de ação. Mas como qualquer game battle royale, procurar, descobrir e coletar recursos ainda é parte central das partidas e consome muito do seu tempo. O sistema para loot e coleta de recursos é eficiente, mas se torna cansativo depois de algumas partidas consecutivas. Usar a picareta para derrubar árvores e casas atrás dos materiais necessários se torna cada vez mais repetitivo.

Outra área em que Fortnite é um pouco raso é no design do seu mapa, duplamente insuficiente. O mapa é enorme e conta com várias áreas fofas e temáticas: a metrópole de Torres Tortas ou os subúrbios de Parque Agradável contrastam com os pântanos do Lamaçal Nebuloso e a zona rural de Terras Anárquicas. Mas independente disso, a sensação é que muitos dos pontos de referência do mapa pecam na sofisticação das suas plantas e na densidade da distribuição de recompensas. Em sua defesa, a verticalidade do mapa exige o melhor das suas habilidades de construção, mas regiões centrais como a Cidade de Tomates oferecem pouco quando dois esquadrões pousam na área.

Uma cidade ligeiramente mais complexa como Margens Esnobes às vezes peca nos itens úteis. Seria mais fácil passar batido por isso se você não tivesse que viajar a pé até a cidade mais próxima — e que provavelmente já vai ter sido saqueada. Mas esse é o caso.

Em apenas seis meses, a Epic Games demonstrou um baita suporte com uma oferta consistente de novos conteúdos. Quem está jogando o game já sacaram os modos temporários, que colocam um tempero especial nos modos padrões. Partidas apenas com snipers ou apenas com explosivos acrescentam um toque bacana, mas modos anteriores de 50 contra 50 ou equipes de 20 fazem muito mais para influenciar o ritmo de Fortnite e abrir novas formas de jogar. Se isso é um sinal de alguma coisa, é de que Fornite pode ter muito mais a oferecer conforme evoluir.

Esse é um game gratuito para jogar, então você deve saber que ele se sustenta por meio de microtransações. Um Battle Pass custa cerca de R$ 30 e abre uma série de skins para comprar, além de prover novos objetivos para almejar. É um sistema razoável no qual objetivos completados recompensam o jogador com itens cosméticos que visivelmente se destacam no estilo artístico colorido de Fortnite. Felizmente, nada disso influencia o game propriamente dito. Se você quer disfarçar sua picareta de brinquedo, vestir os trajes do momento ou reproduzir a dança viral do momento como um emoji, ou você investe o tempo necessário para ganhar tudo isso… ou você simplesmente paga dinheiro de verdade.

Apesar de ter várias partes móveis em seu ecossistema, a maior conquista de Fortnite é a forma com que ele mistura perfeitamente uma série de mecânicas simples para criar um game único de battle royale. O que parece ser um sistema simplificado de construção firmemente se transforma em uma exibição elaborada de proeza tática. É como diz o ditado: fácil de aprender, difícil de dominar. E apesar de eventualmente surgirem alguns tropeços no design do mapa, e da rotina de looting cansar, Fortnite raramente falha em desafio-lo de maneiras inesperadas. E o resultado disso é muito mais que um simples shooter em que o último vivo vence.

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Fortnite / Android, iOS, PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Pontos Positivos
As mecânicas de construção são intuitivas e ajudam a transcender as ideias padrão do gênero
O fim do jogo constantemente apresenta desafios inesperados e faz da vitória algo realmente recompensador
Atualizações e eventos temporários ajudam a manter o game novo
Pontos Negativos
A coleta de recursos e a navegação pelo mapa se tornam cansativas após algumas partidas consecutivas
As cidades principais são ligeiramente sem graça
8
Bom
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Fortnite

  • Data de Lançamento: 31 de Dezembro, 2015
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Desenvolvido pela Epic Games, Fortnite é um jogo em terceira-pessoa que possui dois modos de jogo principais: Salve o Mundo e Battle Royale. O primeiro é focado na sobrevivência, solo, ou em cooperação com outros jogadores. O segundo é um multiplayer online, com até 100 pessoas dentro de um mapa batalhando até que haja apenas uma viva.
    Desenvolvedora:
    Epic Games
    Publisher:
    Gearbox Publishing, Koch Media, Epic Games
    Gênero(s):
    Ação, Shooter, Tático, Terceira-Pessoa
    12 anos
    Violência