REVIEW

God Of War Review: Quase Uma Obra De Arte

  • Data de Lançamento: 20/04/2018
  • Data do Review: 17 de Abril, 2018
  • PlayStation 4

O poder de um mito

por Edmond Tran em 17 de abril, 2018

traduzido por Pedro Scapin em 17 de Abril, 2018

A série God of War se manteve, até agora, muito próxima aos padrões que estabeleceu no jogo original de 2005. Mais de uma década (e muitos jogos) depois, faz sentido que a Sony queira chacoalhar as coisas para a envelhecida série de hack and slash. Assim como muitas franquias populares se reinventaram nos últimos anos, o novo God of War mergulha no poço de RPGs de mundo aberto. Ele também muda seu foco para a mitologia nórdica, deixando de lado os icônicos deuses gregos e suas lendas que fornenceram a base para cada um dos jogos anteriores.

Essas mudanças maiores não sinalizam o fim de God of War como o conhecemos, mas permite ao DNA da série de expressar de novas maneiras. Existem várias razões por que as transformações estruturais são uma coisa boa, mas é o que Kratos, a máquina de matar pesadona, se tornou que deixa uma marca duradoura. Um ícone furioso e sanguinário se transformou em uma figura paterna sensível. Parte dele retém as velhas tendências violentas que o tornaram uma estrela há muito tempo. Entretanto, com seu jovem filho Atreus para proteger e guiar, nós também vemos Kratos respirar fundo e enterrar seus instintos selvagens para dar um exemplo positivo.

Ver Kratos cuidar das sensibilidades de seu filho parece um pouco surpreendente no começo, mas, graças a uma escrita natural, dublagens apropriadas, e animações impecáveis, é fácil ser sugado pela jornada da dupla e acreditar em seu crescimento mútuo. Apesar de ser um professor, Kratos carrega uma montanha de luta e pena de si mesmo que apenas a inocência de seu filho pode ajudá-lo a superar. E Atreus vivencia seus próprios altos e baixos que talvez o tivessem levado a um caminho diferente não fossem as instruções de Kratos.

Atreus foi criado isolado dos perigos do mundo selvagem a seu redor, e corretamente falha em encontrar seu lugar nele quando confrontado com as realidades de uma terra protegida e controlada por deuses. É a morte de sua mãe, anterior ao início do jogo, que impulsiona Atreus e Kratos para fora; seu desejo moribundo foi o de ter suas cinzas espalhadas no topo do pico mais alto da região. Como se predadores selvagens e demônios assustadores não fossem o suficiente, representantes do panteão da mitologia nórdica se erguem numa tentativa de atrapalhar a jornada dos dois, criando os riscos e duelos de forças impressionantes que você espera de God of War.

E como seus antecessores, God of War é um mostruários técnico e artístico. É, sem dúvida, um dos games mais bonitos já lançados para um console, com cenários de tirar o fôlego, personagens míticos exibindo um nível de detalhes impressionante e floreios abundantes. A visão por trás de tudo isso é evidente no físico grisalho e nos equipamentos desgastados de Kratos, nos efeitos atmosféricos que transformam ambientes rústicos em coisas de sonho, e o design geral e a estrutura do mundo em si.

A maioria da jornada se passa no reino de Midgar. Em seu coração há um grande lago que você pode explorar com uma canoa, com uma costa pontilhada com quebra-cabeças opcionais, inimigos formidáveis, e entradas para as regiões principais do mapa. Sua missão lhe levará à maioria desses lugares, e, ao longo do caminho, é provável que você note caminhos inacessíveis e vislumbres de tesouros selados. Sempre há um amplo espaço para explorar fora do caminho principal e bons motivos para ceder à curiosidade, mas essses teasers, em particular, são um estímulo para você reexaminar áreas préviamente visitadas conforme suas capacidades se expandem.

Com o menino lutado a seu lado, atirando flechas ou esganando inimigos desavisados, você enfrentará trolls de caverna corrompidos, encarará feras gigantecas, e lutará com centenas de guerreiros sobrenaturais e inteligentes durante suas viagens. Kratos prefere usar um machado atualmente, cujas funções são muito diferentes das Blades of Chaos pelas quais ele é conhecido. Isso vem com uma habilidade muito legal e satisfatória de convocar mágicamente sua arma à mão (como o machado de Thor), uma jogada que nunca fica velha.

Assim como o combate, no geral. A nova câmera com perspectiva de sobre o ombro de Kratos te leva direto à ação, e, consequentemente limita sua visão. Você não consegue ver inimigos de todos os ângulos de uma vez, e precisa estar com a guarda alta em todos os momentos. Por padrão, o jogo fornece ícones de proximidade para alertá-lo de ataques inimigos, mas vale a penas mexer com a interface para uma experiência mais imersiva conforme você se acostuma com o ritmo dos combates.

Raramente você pode spamar combos sem se colocar em risco, e essa ênfase em atenção solidifica a mudança gradual de God of War em relação à inércia dos hack and slashes tradicionais. As realidades de se lutar com um machado também fazem o processo de escapar do perigo exigir precisão. Mas, quando as variáveis se alinham e você consegue entrar no raio de ação de um inimigo, a habilidade de Kratos com o machado te dá a oportunidade de flexionar sua força com um pouco de estilo.

O conjunto básico de combos de curto alcance e os comportamentos da arma podem ser expandidos ao gastar pontos de experiência em uma árvore de habilidades e ao ativar runas mágicas que se prendem aos seus dois comandos de ataque. Existem muitas opções para avaliar e táticas para aprender, incluindo ávores de habilidades para lutar de mãos vazias. Existe um ritmo maravilhoso a ser encontrado na troca do machado para os punhos, e nos movimentos de execução brutais e satisfatórios de Kratos.

O combate de God of War é ótimo desde o início, mas fica melhor conforme vai introduzindo de maneira bem equilibrada uma camada após a outra. Você pode encontrar inimigos incrivelmente difíceis, que se tornam fáceis com timing ideal e o domínio de cada habilidade disponível, mas também pode obter sucesso em qualquer nível se tiver dominado a art de desviar e esquivar de golpes dos inimigos.

Atreus não pode ser configurado à mesma extensão que Kratos pode, mas ainda há muitas maneiras de costurar suas habilidades de acordo com suas preferências. As flechas que ele atira podem ser atadas a diferentes tipos de magia, com múltiplos upgrades elementais e de funcionalidades, e ele, eventualmente, ganha a habilidade de convocar animais espectrais que podem ferir e distrair inimigos ou coletar itens. Graças ao inteligente layout de botões, na verdade é bem fácil atacar e defender com Kratos e comandar Atreus ao mesmo tempo. God of War te dá muito o que fazer em qualquer momento te faz se sentir como um guerreiro experiente nesse processo.

A armadura que Kratos e Atreus usam podem influenciar um leque de status dos personagens, afinidades elementais, e podem incluir slots que dão mais bônus ainda. Armaduras podem ser compradas ou fabricadas usando os poucos recursos espalhados pelo mundo e podem ser melhoradas pelos dois ferreiros do jogo: dois irmãos anãos constatemente em conflito entre si. Tem o Brok, o anão azul de boca suja e Sindri, um cara bem mais gentil ainda que tragicamente germofóbico – algo geralmente bem engraçado, mesmo que ocasionalmente seja um pouco forçado.

Por mais agradável que os dois possam ser, é Mimir que rouba a cena. O sábio chifrudo com apenas um olho acompanha Kratos e Atreus pela maioria do jogo, servindo como seu guia em Midgard, e uma fonte de dentro das políticas nórdicas. Mimir e os ferreiros têm personalidades fortes e particulares, assim como cada um dos personagens que você encontra ao decorrer do jogo. Estamos mantendo outras identidades em sigilo para evitar spoilers, mas, indepentende de quem você encontre, o elenco de God of War é forte, convicente e estranhamente encantador. Mas o feito principal é como, apesar de existir poucos personagens com quem interagir, suas grandes personalidades colorem sua aventura com piadas tentadoras que te puxam para o mundo e imbuem a terra com um senso de história palpável.

Se existe um pedaço que seja uma decepção, é a batalha final contra o principal antagonista. Ele é grandioso de um ponto de vista de narrativa, se desenrolando de um jeito que muda sua perspectiva, mas é a luta em si que deixa querendo mais. Existem várias grandes batalhas contra chefões e testes de habilidade ao longo do jogo, mas essa batalha não alcança a mesma altura, e parece ter sido uma jogada conservadora demais. Pode ter sido efeito de configurar Kratos e Atreus de maneira exatamente ideal, ou realmente ser apenas fácil. Ainda bem que isso não é tudo que o jogo tem na manga.

Duas áreas opcionais em particular parecem ter sido desenvolvidas com pensamento de fim de jogo. A primeira, Muspelheim, oferece uma série de batalhas em arenas cercadas de lava e terra queimada. Alguns desafios são meras batalhas contra inimigos fortes, enquanto outras requerem que você derrote ondas de inimigos em rápida sucessão – se mesmo um inimigo permanecer vivo, leva apenas alguns segundos para outros reviverem automaticamente. O outro reino, Niflheim, é gerado aleatoriamente a cada vez que você o visita, mas sempre é recheado de gás venenoso. O objetivo aqui é sobreviver pelo máximo de tempo possível enquanto empilha mortes e coleta tesouros, e escapar antes que o veneno tome conta de tudo. Ambos os lugares oferecem buscas tensas e recompensadoras que são acessíveis apenas se você jogar no seu melhor nível.

E são grandes as chances de você estar tão viciado no ritmo da história e na procissão de eventos que haverá várias outras atividades secundárias deixadas em Midgard após os créditos finais. God of War não se passa em um mundo aberto gigantesco, mas é recheado de segredos e missões. Onde muitos jogos com oportunidades de missões longas e variadas tendem a ficar um pouco obsoletos no final, God of War tem o efeito opost. É bem mais longo do que precisa ser, mas você espera nunca ficar sem ter o que fazer.

De muitas maneiras, God of War é o que série sempre foi. É um jogo de ação espetacular com cenas épicas, orçamento com valores altos, e combate duro que se torna mais fervoroso e impressionante conforme você progride. O que pode te surpreender é o quão maduro o storytelling se tornou. Como Kratos, God of War recorda o passado enquando reconhece que precisa melhorar. Todas de novo que faz, faz para o melhor, e tudo que ele possui se beneficia disso no fim. Kratos não é mais um brutamontes previsível. God of War não é mais uma série de ação fora de moda. Com esse reboot, ele caminha confiantemente por um caminho que, esperamos, traga mais aventuras empolgantes pela frente.

3 0
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God of War / PlayStation 4

Pontos Positivos
Apresentação impecável
A dinâmica entre pai e filho melhora o combate e faz você surpreendentemente se identificar com Kratos
Escrita convincente que humaniza o extraordinário elenco de apoio
Agilidade e grande repertório de técnicas deixa Kratos, mais do que nunca, divertido de se controlar
Midgard é fantástica de se olhar e repleta de missões secundárias que valem a pena
Transforma e melhora com maestria a jogabilidade já estabelecida da série
Pontos Negativos
Não há
9
Muito Bom
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God of War

  • Data de Lançamento: 20 de abril, 2018
    • PlayStation 4
    Novo capítulo de uma das franquias de maior sucesso na história dos games insere Kratos na mitologia nórdica.
    Desenvolvedora:
    SCE Santa Monica
    Publisher:
    Sony Interactive Entertainment
    Gênero(s):
    Aventura, Ação
    18 anos
    Violência