REVIEW

Mega Man 11 review — Os robôs estão de volta

  • Data de Lançamento: 02/10/2018
  • Data do Review: 2 de outubro, 2018
  • PlayStation 4, Switch, Xbox One

Tire a poeira da sua Mega Buster.

por Heidi Kemps em 1 de outubro, 2018

traduzido por Pedro Scapin em 2 de outubro, 2018

Não tem sido fácil ser um fã de Mega Man nos anos 2010. Entre cancelamentos de Mega Man Universe, Mega Man Legends 3 e a decepcionante ressurreição espiritual Mighty No. 9, parecia que toda a esperança de ver o retorno da ação e do gameplay amados da série havia desaparecido. Por isso, o anúncio de Mega Man 11 foi recebido com muita expectativa, já que esse é o primeiro jogo realmente novo de Mega Man em oito anos.

E apesar do game cumprir suas promessas de ser um jogo de ação charmoso e desafiador, com uma enorme galeria de robôs para destruir, ele faz algumas escolhas que o mantém longe da grandeza.

Aqueles que vêm curtindo as aventuras de nosso pequeno amigo azul nas últimas três décadas provavelmente conhecem a fórmula: você atravessa oito níveis temáticos, na ordem que quiser, coletando as armas dos chefões que derrotar – elas podem ser usadas para explorar pontos fracos de outros chefões mais pra frente. Uma vez que os oito robôs do mal forem derrotados, você chega numa fortaleza para um duelo final com o Dr. Wily.

A grande novidade desta vez, entretanto, é que nosso herói foi equipado com o Double Gear System, que permite que ele aumente o poder de sua arma ou reduza a velocidade do ambiente ao seu redor por um tempo limitado.

A Power Gear pode aumentar a potência da tradicional Mega Buster ou melhorar armas especiais com efeitos mais poderosos, enquanto a Speed Gear pode te ajudar em lugares mais complicados onde o timing ou uma movimentação mais rápida são cruciais. No entanto, esses efeitos duram apenas poucos segundos. Uma vez que o tempo acaba, você precisa esperar eles recarregarem ou coletar um item especial antes de poder usá-los novamente, impedindo que você dependa demais dessas habilidades. E você não é o único usando os novos poderes, uma vez que as máquinas de Wily também contam com elas em seu arsenal.

Uma coisa que você vai notar logo de cara é como o jogo acerta em cheio na sensibilidade geral da narrativa e no charme da série em sua apresentação visual.

Os modelos 3D de Mega Man, de seus amigos e do Robot Master são perfeitos e com leves floreios. As expressões exageradas de Auto e o esforço que Beat faz para levantar o peso de Mega adicionam um pouco de humor. As fases em si são repletas dos robôs inimigos com olhos esbugalhados estranhamente fofos que ajudaram a definir a franquia. E de elementos de plano de fundo, como as propagandas de Blast Man ou os hieróglifos de Block Man adicionando uma faísca de personalidade a cada cenário. Com gráficos tão legais assim, é fácil deixar passar batido a trilha sonora, que é agradável mas, no geral, esquecível.

Infelizmente, a experiência de início de jogo de Mega Man 11 é bem difícil. Veteranos certamente vão notar como as fases são estranhamente longas. Enquanto você pensa que quanto mais Mega Man, melhor, a duração de cada nível serve para tornar o game mais frustrante do que deveria ser, já que os checkpoints são espalhados de maneira escassa e são poucas as vidas extras.

Para piorar ainda mais as coisas, você frequentemente encontra as partes mais desafiadoras de uma fase em sequência, com pouco tempo para respirar. O design das fases também tende a colocar áreas de erro e acerto, como um labirinto de paredes cobertas com espinhos que matam com um toque ou uma série de saltos frenéticos, no fim desses longos níveis, tornando os “game overs” especialmente desmoralizantes.

Em outros jogos de Mega Man, a falha se torna mais uma experiência de aprendizagem do que um passo atrás. Aqui, entretanto, geralmente é dolorosa a ideia de refazer um nível de 10 minutos carregado de checkpoints restritos, elementos capazes de te matar com um golpe e uma batalha com um sub-chefe.

As Double Gears ajudam um pouco a navegar as seções mais difíceis, mas elas sempre parecem ficar sem energia rápido demais para serem confiáveis. O progresso se torna melhor uma vez que você consegue elaborar um repertório de armas de chefões e comprar melhorias com os parafusos colecionáveis encontrados nas fases. Mas ainda há um leve grau de frustração com alguns dos elementos de design, como a sequência de três paredes de fogo do Torch Man, capazes de te derrotar com um toque, que nunca parece acabar.

E apesar de pode jogar numa dificuldade menor, ganhando mais vidas e checkpoints para tornar os enormes quebra-cabeças mais tranquilos, o jogo vai longe demais no tanto de dano que você leva, ao ponto de fazer com que os chefões virem moscas-mortas.

É claro que os níveis, por mais longos que sejam, não são de todo ruins, e há várias ideias interessantes e agradáveis. A fase de Blast Man faz com que você jogue robôs explosivos em caixas e outras máquinas para criar explosões em sequência, enquanto o Impact Man possui algumas áreas que testam seus reflexos com uma série de robôs perfurantes que devem ser esquivados em sequência. Os sub-chefes são todos ótimos. Meu favorito é o esqueleto de mamute na fase de Tundra Man.

Os Robot Masters em si também são muito divertidos de serem combatidos e até mudam seus padrões de ataque usando suas próprias Double Gears quando ficam com menos vida, o que te mantém sempre alerta. As armas de chefões coletadas também são bem bacanas de serem usadas. E as variações das Power Gears dão um toque especial que traz lembranças da série Mega Man X.

Ainda assim, é fácil esquecer quanta diversão você teve quando está travado e sendo perfurado por mais uma armadilha de espinhos no final do estágio do Acid Man. Ou quando está lutando contra as paredes de mola e as desagradáveis plataformas presentes na triste morada do Bounce Man.

Isso culmina com um conjunto final de fases que são tanto impressionantes, quanto decepcionantes. Impressionantes pelos chefões e truques realmente divertidos, e decepcionantes porque não parecem ser um teste de habilidades realmente significativo depois de você já ter lidado com alguns dos maiores obstáculos do jogo.

Mega Man 11 é um bom jogo de ação com o qual você pode facilmente se identificar, mas é muito desbalanceado e irregular para se comparar aos melhores títulos dessa venerável franquia. Em seu auge, é uma excelente brincadeira retrô com encontros empolgantes com chefões. Em seu pior, é uma experiência frustrante cujas fases longas demais oferecem obstáculos insuportáveis. Mesmo com esses problemas, é bom ver Mega Man de volta à ação. Esperamos que Mega Man 11 seja o começo de muitas novas aventuras robóticas pela frente.

4 0
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Mega Man 11 / PlayStation 4, Switch, Xbox One

Pontos Positivos
Ótimos sub-chefes e lutas intensas contra os Robot Masters.
Alguns dos novos truques das fases são muito divertidos.
A personalidade cativante da série é vista nos gráficos e no design dos personagens.
Pontos Negativos
Fases longas demais e com elementos questionáveis.
Aumentos de dificuldade nas fases é difícil de encarar.
O sistema Double Gear nunca é tão útil quanto você gostaria.
7
Bom
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Mega Man 11

  • Data de Lançamento: 2 de outubro, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Switch
    • Xbox One
    Desenvolvedora:
    Capcom
    Publisher:
    Capcom
    Gênero(s):
    Ação, Plataforma, 2D
    10 anos
    Violência