REVIEW

Pillars Of Eternity II: Deadfire Review – Uma Vida De Pirata Para Mim

  • Data de Lançamento: 08/05/2018
  • Data do Review: 8 de Maio, 2018
  • PC

Indo com as ondas.

por Daniel Starkey em 8 de maio, 2018

traduzido por Pedro Scapin em 8 de Maio, 2018

Pillars of Eternity foi algo como um arauto para a segunda era de ouro de jogos clássicos de RPG para computador. Foi uma inspiração, e foi rapidamente seguido por jogos como Torment: Tides os Numera e Tiranny, e muitos outros preencheram as lacunas desde então. E isso é antes mesmo de termos reboots e relançamentos de alguns dos clássicos do gênero, como Baldur’s Gate.

Tudo isso é pra dizer que os padrões mudaram bastante desde o lançamento de Pillars of Eternity em 2015. É marcante, então, que Pillars of Eternity II: Deadfire não só mantém o ritmo com seus contemporâneos, mas traz sua própria vitalidade e caráter que o destaca em um gênero que tem estado um pouco lotado ultimamente.

Deadfire é uma sequência direta de Pillars of Eternity, mas você não precisa ter jogador o primeiro jogo, uma vez que receberá sólidas recapitulações, assim como a habilidade de fazer mudanças gerais que afetarão como Deadfire será jogado. Dito isto, ter familiaridade com os personagens e o mundo adiciona muito ao apelo geral do jogo. Esse pessoal envelheceu, enrugou e se tornou grisalho no arquipélago infestado por piratas chamado Deadfire – o cenário marítimo expansivo no qual nossa aventura se passa. Um velho amigo passou a fumar cachimbo, por exemplo, se tornando um pouco mais relaxado e observador, pontuando pensamentos e comentários com tragadas para ajudar a processar seus pensamentos.

Na maior parte, a progressão dos personagens e os detalhes do jogo funcionam exatamente como antes. A criação de personagem é profunda e complexa, projetada para imitar o processo de mapeamento de um personagem de um RPG de mesa. A partir daí, você joga uma aventura uma metade em tempo real, e outra baseada em turnos, com exploração feita no estilo da primeira e o combate no da segunda. Se você jogou praticamente qualquer um dos icônicos RPGs de computador nos últimos 20 anos, você se sentirá imediatamente em casa com os básicos de Deadfire.

Além disso, entretanto, Deadfire supera tudo de seu antecessor. Há mais de tudo que você possa pensar – mais opções na criação de personagens, mais classes e habilidades, mais especializações, mais itens, e mais níveis. Você também pode explorar águas abertas em um navio que você gerencia, da tripulação ao canhão. Da mesma maneira que um guia avançado adiciona upgrades fundamentais ao jeito com o qual um RPG de mesa funciona, Deadfire é maior, mas também mais profundo. Novas sub-classes dos personagens e a habilidade de ter mais de uma classe permitirá que você refine suas opções de combate ou de interpretar papéis com mais nuances.

Dito isto, o real valor de Deadfire é como seu cenário estabelece arranjos detalhados para novas histórias e contos de exploração e aventura. O Arquipélago foi totalmente ocupado, mas várias ilhas ainda contêm segredos antigos e horrores sobrenaturais. Mais que isso, a atmosfera desorganizada demanda defesas robustas e muitos corpos capazes de manter seu novo navio. A vida no mar é brutal, e sua primeira embarcação mal terá o equipamento necessário para sobreviver até mesmo aos menores encontros. Ter tudo que sua base móvel de operações é outro grande foco, e você sempre terá que se preocupar quando outro navio aparecer no horizonte.

Seu objetivo final é encontrar Eothas, um deus que possuiu um colosso de pedra. Misteriosamente, seu espírito e força vital estão atrelados ao deus, e apenas ao segui-lo até o arquipélago seus companheiros foram capazes de te manter vivo. Agora, você deve sair e descobrir como e por que tudo isso aconteceu, enquanto persegue Eothas. Isso funciona particularmente bem como um meio de manter o ritmo na jornada e desenvolver uma forte trama de aventura.

Então você zarpa para quaisquer cidades e ilhas que puder ver, e construi a partir de lá. Nesse ponto, curiosidade é uma virtude. Perguntas e sondagens geral pequenas e íntimas histórias e dicas para rastrear o vilão. Esses arcos constroem a textura do mundo e oferecem alguns dos mais belos momentos no game. Além disso, ter equipamento e experiência extras só aumentam sua proficiência na principal vertente do jogo. Como e quando você interage com o mundo cabe a você, mas você será parcialmente limitado pelas capacidades de seu navio e informações que coletou.

Combate naval, talvez a maior adição mecânica em Deadfire, é bem construída. As batalhas são em turno e serão determinadas por tudo desde habilidade e experiência de sua tripulação, às escolhas táticas que você fizer. Essas se centralizam altamente em posicionamento, o que é importante de se manter em mente quando atacar ou defender. A maioria dos navios terá diferentes tipos de armas, então você trabalhará para encurtar ou aumentar a distância para que tenha os melhores disparos nos melhores momentos. O embarque, é claro, também tem um papel importante, mas isso funciona mais ou menos como qualquer outra batalha em terra.

Tudo isso, também, alimenta o sistema que impacta o quão bem sucedido você é na pirataria em geral. O moral de sua tripulação terá que ser mantido no alto, por exemplo, ou você pode correr o risco de um motim. Enquanto isso poderia ser pouco mais que um detalhe, Deadfire leva tudo para o restante do jogo – primariamente através de sua arte e escrita.

Conversas ricas e detalhadas foca em estabelecer o cenário e construir uma atmosfera. Os personagens de Deadfire são brilhantes e cheios de nuance, e suas descrições costuram personalidade nas mais simples interações. Tudo isso forma uma leitura enriquecida – se você tiver a paciência para tal. Como o primeiro jogo, a escrita é fenomenal como um todo, mas algumas seções podem ser desnecessariamente prolixas, e isso pode parecer ocasionalmente como um ponto fraco. Mas, com mais frequência do que não, um texto vívido é uma maneira de te ajudar a escapar para este mundo fantástico. Ainda bem, entretanto, não é o único truque que Deadfire possui.

Enquanto a visão isométrica é um pouco retrógrada, a arte e o detalhe visual do mundo fica lado a lado com a escrita como um dos pontos mais forte da aventura. Não apenas isso é um banquete visual, muito por conta de seus cenários imaginativos e pela aplicação do arcano, mas sua direção é pungente e emocionante. Os barracos à beira-mar e criaturas exóticas de outro mundo são um afastamento decidido do clássico cenário de fantasia da anterior Drywood. O estilo clichê do castelo Caed Nua dão lugar à Treasure Island, com todos os monstros e mágicas de Dungeons And Dragons. Em outras palavras, essa é mais uma uma fantasia com tons de pirataria do que o inverso. E isso funciona muito bem – mantendo o suficiente do apelo original enquanto desdobra novas e afiadas ideias e ambientações.

Deadfire é denso, e não é um jogo pequeno, facilmente encolhendo seu antecessor em termos de escala. Há muito para se fazer, e é mais fácil que nunca se perder nas pequenas histórias que você encontrar, sem seguir os mesmos arcos que o jogo criou especialmente para você. Ainda assim, vale a pena ir com calma. A riqueza de Deadfire leva tempo para ser apreciada, e, como os salgados marujos que o chamam de “casa”, você ficará com uma ligação permanente a essas ilhas quando finalmente deixá-las.

2 0
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Pontos Positivos
Excelente escrita por todo o jogo
Mundo vasto recheado com pequenas e pungentes histórias para você descobrir
Direção de arte cria um tom impactante e um cenário convidativo
Elenco rico e cheio de nuances que cresce e evolui
Pontos Negativos
Sessões prolixas podem influenciar um pouco no ritmo do jogo
8
Bom
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Pillars Of Eternity II: Deadfire

  • Data de Lançamento: 08 de maio, 2018
    • PC
    Pillars Of Eternity II: Deadfire contém um mundo aberto enorme, um elenco de personagens massivo, lindos enários pintados à mão, e uma história que você pode jogar do seu jeito.
    Desenvolvedora:
    Obsidian Entertainment, Red Cerberus
    Publisher:
    Versus Evil, Obsidian Entertainment
    Gênero(s):
    RPG
    18 anos
    Sangue, Nudez, Linguagem Imprópria, Violência