REVIEW

Shadow of the Tomb Raider — Bem vindo à selva

  • Data de Lançamento: 14/09/2018
  • Data do Review: 14 de setembro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Torne-se uma sombra.

por Igor Pontes em 14 de setembro, 2018

O Tomb Raider de 2013 reapresentou Lara Croft em início de carreira, numa jornada de transformação de uma garota frágil e despreparada para uma autêntica desbravadora de tumbas. Shadow of the Tomb Raider, conclusão do que veio a ser essa nova trilogia da arqueóloga, até traz alguns relances dessa personagem que amadureceu no sacrifício. Mas a essa altura do campeonato, o que conta mesmo é tiro, porrada e bomba. No caso, contra um apocalipse maia eminente.

Nesse terceiro jogo, a jovem Lara tem que passar por uma de suas provações mais difíceis e em território hostil para ela e seus adversários: a selva. A seu favor, a mata serve de camuflagem para a heroína, uma das grandes novidades de Shadow e principal exemplo de sua maior inclinação ao stealth.

Lara consegue escalar árvores, se esconder dentro de arbustos e se cobrir de lama para enganar inimigos e caçar animais. As folhagens, árvores e plantas transformam Lara Croft em uma sombra prestes a acabar com seus adversários. E isso faz do jogo mais um exemplo de aventura divertida em busca do tesouro perdido. Mais Tomb Raider que isso, impossível.

Mas o foco nessa ação cinematográfica de Caçadores da arca perdida ofusca o que prendeu o público ao reboot pra começo de conversa. Shadow of the Tomb Raider soa como um repeteco das aventuras anteriores de Lara Croft – e sem tempo para debater as angústias de Lara em matar mais um soldado.

Torne-se um com a natureza

Nesse terceiro jogo, Lara Croft segue o rastro da Trindade, uma ordem de cavaleiros templários modernos, até o México, onde se depara com um evento que pode dar início ao fim do mundo.

O incidente coloca a heroína atrás dela, uma caixa prateada mística, numa aventura na América do Sul. Mais precisamente na selva da Amazônia, mas infelizmente não há Lara Croft no Brasil. A caçadora de tumbas está atrás do tesouro em solo peruano e, para compensar, dá para fazer um carinho em algumas lhamas. É sério.

A floresta amazônica é uma das principais armas de Lara durante o jogo e um terreno pronto para surpreender os adversários – e isso é um baita ponto forte de Shadow of the Tomb Raider. Mais do que nunca, a furtividade é uma solução mais interessante do que enfrentar os capangas de frente.

O arco e flecha continua sendo a melhor arma, com uma variedade de possibilidades. Flechas incendiárias queimam seus inimigos e explodem barris de gasolina. Flechas alucinógenas botam os adversários para lutar entre si e causar tumulto.

Não dá para hesitar em fazer abates furtivos à distância. Ou se esgueirar por trás dos inimigos para dar aquela facada letal no pescoço. E é sempre bom ficar ligado na árvore de habilidades de Lara. Uma das skills permite aprimorar seus abates silenciosos, evitando que ela seja detectada por outros capangas.

Outra adição ao stealth é a possibilidade de Lara se cobrir em lama. Com isso, ela se camufla em paredes enlameadas e em folhagens mais densas, ajudando na locomoção furtiva com mais opções do que antes.

Conforme o jogo avança, os desafios aumentam e surgem soldados mais bem preparados para o combate, com capacetes e coletes que bloqueiam aquela flecha bem dada na cabeça. E aí é aquele dilema:

Você sempre pode sair explodindo tudo com uma metralhadora nas mãos no maior estilo Rambo, mas assim como os outros Tomb Raider, é muito mais divertido (e fácil, e bem feito) encarar os inimigos um por um sem que ninguém perceba sua presença.

Explorar é preciso

Se no quesito combate vai tudo muito bem, obrigado, no quesito exploração… também. Como antes. Nessa aventura para evitar o apocalipse maia, Lara volta a entrar em tumbas, criptas e cavernas para evitar o fim do mundo.

As situações de rapel, saltos perigosos e cordas penduradas à beira de lugares altos são constantes e desafiadoras. E esse deslocamento de um ponto a outro, com acrobacias sobre cenários ardilosos e traiçoeiros, deixa toda essa parte do jogo muito interessante de ser realizada.

Some a isso a solução de quebra-cabeças para destrancar portas e acionar mecanismos e o desbravamento de tumbas se torna a parte mais gratificante de Shadow of the Tomb Raider. Ver as peças de uma grande armadilha maia se encaixando e mostrando que a resposta estava ali na sua frente o tempo todo dá uma raivinha que rapidamente se transforma em alegria.

Mas apesar do retorno da exploração aquática, a forma como a água se comporta no jogo é inconstante. Muitas vezes, Lara parece estar nadando num grande vazio.

Paititi, a cidade perdida

A história avança até Lara chegar à cidade sagrada de Paititi, local que funciona como um hub do jogo e distribui as missões secundárias. Lá você encontra Unuratu, rainha que lidera uma resistência contra os planos da Trindade, e vive uma das perseguições cinematográficas mais legais do jogo.

Também é lá que a história vai se enraizando ainda mais, avançando a tensão em torno do apocalipse e amarrando as ligações da Trindade com a cidade escondida.

Durante uma das missões obtidas na cidade, no entanto, uma situação incomodou. Em determinado momento, Lara coloca as mãos em uma escopeta… mas o dano dela é menor do que um tiro de arco e flecha.

Isso acaba acontecendo com o restante do armamento também. Quanto mais você aprimora seu arco, mais ele se torna mais forte que uma metralhadora. E mesmo que as outras armas sejam melhoradas, o dano do arco segue sendo bem superior ao resto.

Essa diferença de poder força o jogador a continuar utilizando o arco. E não é que ele seja ruim. Mas sua força só dificulta o uso de estratégias diferentes ao longo dos combates.

De qualquer forma, você até pode não utilizar a metralhadora durante o jogo inteiro. Mas acredite: existem momentos em que o jogo não dá outra alternativa a não ser metralhar seus inimigos para sobreviver. Esses momentos são raros, mas rendem momentos dignos de um filme de ação dos anos 1990.

Amizade é a base de tudo

A relação entre Jonah e Lara é o que restou da pesada construção de personagens do primeiro Tomb Raider. Fiel companheiro da exploradora desde sua primeira aventura, Jonah funciona como um elemento de proteção, carinho e também de puxadas de orelha em Lara.

E apesar de não brilhar tanto como no game de 2013, a herdeira dos Croft mostra sinais de autenticidade quando percebe sua obsessão cega e desenfreada pelos seus objetivos. E todas as catástrofes e mortes que ela pode causar.

Jonah ajuda Lara e os outros sem se preocupar com o que possa acontecer com ele. E ela encontra no rapaz a força para continuar seguindo em sua jornada. Mas tudo acaba ficando bastante diluído entre os tiroteios e mortes que persistem em Shadow.

Poder para salvar o mundo

A tensão acerca do final do game e do possível apocalipse é grande, mas a batalha final acaba sendo bem fácil, cansativa até, moldada na repetição. E isso diz muito sobre Shadow of the Tomb Raider como um todo.

Ao contrário do primeiro jogo da trilogia, que rompeu com o que se esperava de Lara Croft de maneiras muito bem escritas, Shadow reafirma todas as expectativas sobre essa heroína que já foi uma personagem intrigante, mas que desde Rise of the Tomb Raider se tornou aquilo que sempre odiou.

O stealth está ainda mais presente e importante – ainda bem, pois os tiroteios continuam desbalanceados e um ponto fraco do jogo. E as tumbas seguem engenhosas e a parte mais divertida do game. Mas é difícil olhar para Shadow of the Tomb Raider e não ver esse jogo como um grande repeteco do que já aconteceu antes. Depois dessa aventura, Lara Croft precisa, mais uma vez, sair das sombras.

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Shadow of the Tomb Raider / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
A furtividade continua sendo o melhor caminho de lutar.
Explorar tumbas e criptas ainda é o ponto alto do jogo.
Pontos Negativos
Nadar pode ser meio esquisito.
O arco e flecha é muito mais forte que as outras armas.
7
Bom

Sobre o Autor

Igor Pontes

Jornalista, Mestre Pokémon desde criancinha e ainda sonha que a Cidade de Pallet é seu lugar. Fã de e-Sports e de RPGs, e morre de medo até hoje do primeiro Silent Hill.

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Shadow of the Tomb Raider

  • Data de Lançamento: 14 de setembro, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Desenvolvedora:
    Eidos Montreal
    Publisher:
    Square Enix, Square EA
    Gênero(s):
    Ação, Aventura
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