REVIEW

Bloodstained: Ritual of the Night review — Rei do castelo

  • Data de Lançamento: 18/06/2019
  • Data do Review: 28 de junho, 2019
  • PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Uma nova sinfonia Metroidvania.

por Steve Watts em 28 de junho, 2019

traduzido por Pedro Scapin | @PedroScapin17 em 28 de junho, 2019

Nos anos que se passaram desde que Castlevania: Symphony of the Night ajudou a definir o que é Metroidvania, o gênero deixou de ser um arquétipo arrojado para se transformar em só mais um item de uma lista de afazeres.

Vários jogos surgiram com inspiração em Metroidvanias, mas o produtor da série Castlevania, Koji Igarashi, não fez apenas mais um clone em seu projeto mais recente, Bloodstained: Ritual of the Night.

Bloodstained é mais do que inspiração. Sua habilidade impecável em criar fases e combates, suas melhorias de qualidade de vida e seu sabor único o ajudam a se destacar em um cenário abarrotado.

Capa Bloodstained: Ritual of the Night

Ritual of the Night é confortável e familiar, até nas cores do mapa que se revela ao longo do game. Assim como seus antecessores na série Castlevania, a protagonista Miriam precisa bater quatro ou cinco vezes até nos inimigos mais básicos para derrotá-los, e a falta de agilidade a princípio pode parecer restritiva.

Isso pode soar discordante das memórias de jogos como Sympony of the Night, mas a familiaridade retorna conforme Miriam fica mais poderosa e o jogo, mais reconhecível.

Isso não quer dizer que Bloodstained deixa a fórmula completamente de lado. Uma série de técnicas encontradas em livros no castelo ensinam golpes específicos de cada arma, algo similar a um jogo de ação ou de luta.

Com mais ênfase em armas diferentes, o jogo introduz atalhos que permitem uma rápida troca entre os diferentes equipamentos. É uma pequena melhoria, mas implementada de maneira inteligente.

Mas a maior adição está na figura dos shards, ou pedaços de demônios e outros monstros que imbuem a protagonista com poderes extras. O sistema de shards combina feitiços, relíquias e outras mecânicas familiares de Symphony of the Night em um sistema mais robusto e versátil.

Bloodstained Ritual of the Night

Os shards são divididos em cinco categorias: Conjure, Manipulative, Directional, Passive e Familiar. Conjure invoca uma arma ou criatura, enquanto Manipulative faz mudanças maiores em seu estado atual. Passive oferece buffs e outros benefícios. Familiars te acompanham e ajudam. E por fim, Directional é o mais variado, oferecendo várias armas de longa distância.

Pela natureza do sistema de shards e outros poderes e habilidades, Bloodstained não é um game terrivelmente desafiador. Ganhar alguns poucos níveis para enfrentar uma área ou um chefão é algo rápido e tranquilo. E a grande variedade de tipos de armas facilita sua adaptação ao jogo.

Assim como muitos games antigos, superar alguns dos desafios é algo que exige paciência para aprender os padrões de cada inimigo, macetar e passar com habilidades especiais, ou uma mistura dos dois.

Outras novidades, como a fabricação de armas e de alimentos para buffs permanentes, adicionam mais nuance a Bloodstained e uma boa variedade de maneiras para melhorar seus atributos.

No geral, o empoderamento acontece em uma única direção. Normalmente você não é obrigado a tomar decisões difíceis. Isso é diferente do que existe em jogos modernos, mas ajuda a consolidar o objetivo de transformação de uma fracote em uma caçadora de monstros profissional.

Bloodstained Ritual of the Night

Ocasionalmente, Bloodstained tem alguns problemas técnicos. O jogo sofre com lentidão em alguns pontos, especialmente com o uso de algumas habilidades de shard. Além disso, algumas áreas são notavelmente mais rasas do que as luxuosas coberturas de Arvantville ou do brilho da Catedral de Dian Cecth.

O interior do castelo como um todo é lindo, e os variados ambientes mostram um olhar atento. As partes menos trabalhadas se destacam porque o resto é muito bem feito.

Fiel à sua linhagem, Bloodstained é cheio de segredos e esconderijos. O design do castelo se desenvolve de maneira bela ao longo de várias horas, instilando uma constante sensação de curiosidade e exploração.

Seu layout é sutil e acolhedor. Pontos que só podem ser acessados posteriormente são claros sem parecerem frustrantes, e o mapa raramente te deixa perdido sobre o que fazer em seguida.

Um sistema permite que você marque pontos interessantes no mapa para retornar a eles depois. O problema é que o mapeamento nada intuitivo de botões faz com que seja fácil marcar vários pontos acidentalmente.

Acessar o final “verdadeiro” é um quebra-cabeça inteligente dentro dessa fórmula de plataforma, que abre até mesmo as camadas mais profundas do castelo rezando para serem exploradas.

Ser um jogo de Castlevania em todos os pontos menos no nome coloca algumas restrições em o quão explícito um game pode ser com suas referências. Algumas são mais flagrantes do que outras, mas Bloodstained impressiona consistentemente com soluções criativas para elevar o espectro de Castlevania enquanto desliza na direção da originalidade.

Bloodstained Ritual of the Night

Entre descrições de armas, uma fase secreta em estilo 8-bit e um chefão opcional bastante difícil, Bloodstained homenageia seu legado com muitos easter eggs. São mensagens clares a fãs de longa data, mas não a ponto de serem uma distração para novatos.

Esse tom atrevido é usado em todo o jogo. Enquanto a história em si é amena, o estilo e os ornamentos ao seu redor são bem notáveis. Um horror gótico pra lá de bobo, com demônios ocupando corredores ao lado de enormes cabeças de filhotinhos de cachorro, e até uma homenagem ao indie Shovel Knight.

Mesmo alguns dos diálogos são claramente uma piada. Um homem que fornece missões no hub principal possui um nível cômico de desejo por sangue em suas missões de vingança. Um barqueiro zumbi dá uma dica nada sutil sobre como você poderia abrir um caminho para ele se tivesse uma mão gigante.

Bloodstained é cheio de pequenos toques assim, o que faz com que você saiba que, apesar de seu nome e cenário sisudos, é um game confortável consigo a ponto de ser absurdo.

É esse senso de conforto que torna Bloodstained um grande deleite. Isso não é uma modernização arrojada do gênero ou uma fuga de suas raízes. Ele é exatamente o que se propõe a ser: o retorno ao estilo de uma era passada, com algumas modernizações.

O resultado disso depende de como Bloodstained consegue invocar o sentimento de um jogo clássico de Castlevania, e Ritual of the Night faz isso com louvor. Com um combate mais flexível e um design de fases que sempre incentiva a exploração de pelo menos mais uma sala, Bloodstained consegue se manter em pé de igualdade com seus antecessores.

Acompanhe o GameSpot Brasil no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Twitch.

9 0
Ver comentários ()

Bloodstained: Ritual of the Night / PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Pontos Positivos
Level design interconectado que se expande lindamente.
Armas e shards versáteis dão flexibilidade ao combate.
Equilíbrio entre modernidade e gameplay clássico.
Senso de humor bobo mantém o tom gótico leve e agradável.
Pontos Negativos
Alguns problemas técnicos, especialmente em áreas mais intensas.
Alguns poderes de navegação são colocados em comandos normalmente usados para combate.
8
Bom
Participe da Conversa

Bloodstained: Ritual of the Night

  • Data de Lançamento: 18 de junho, 2019
    • PC
    • PlayStation 4
    • Switch
    • Xbox One
    Desenvolvedora:
    Armature Studio, Inti, ArtPlay
    Publisher:
    505 Games, Deep Silver
    Gênero(s):
    2D, Ação, Plataforma
    14 anos
    Nudez, Sangue, Violência