REVIEW

Crackdown 3 review — Homem de aço

  • Data de Lançamento: 15/02/2019
  • Data do Review: 21 de Fevereiro, 2019
  • Xbox One

Um retorno decepcionante e datado.

por Chris Pereira em 16 de fevereiro, 2019

traduzido por Bruno Araujo em 21 de Fevereiro, 2019

Foi uma longa espera por Crackdown 3. Atrasos podem ser uma coisa positiva, dando aos desenvolvedores tempo para refinar e polir um jogo. Em outros casos, o resultado pode ser uma experiência datada. Crackdown 3 repousa firmemente sobre a segunda categoria, oferecendo certo entretenimento, mas pouco em termos de ideias novas, interessantes e coisas divertidas para fazer. Ele é grande e bombástico, com muito caos e efeito colateral, mas traz pouco para se redimir – é como uma versão em videogame de Homem de Aço.

Você controla um membro superpoderoso da Agência que é enviado para uma cidade para fazer justiça enquanto elimina sistematicamente os cômicos membros de uma corporação do mal. Você começa o jogo relativamente fraco, mas seu poder cresce progressivamente e você passa a pular mais alto e usar novas habilidades, como distribuir porradas contra o chão, arremessar itens cada vez mais pesados e por aí em diante.

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As facções inimigas são responsáveis por certos aspectos da operação criminosa, como a fabricação de um tipo de veneno. Derrotá-las enfraquece a região, facilitando o cumprimento do objetivo final que é destronar o grande líder malvado. Você pode ser responsabilizado por dano colateral – mate muitos inocentes e uma milícia local emprega um esforço meia-bomba em tentar te exterminar – mas isso passa rápido. E sim, estou descrevendo Crackdown 3, não seu progenitor de 2007.

Screenshot Crackdown 3

Toda essa familiaridade seria ok se a própria ação fosse mais atraente. A mecânica central de coletar orbs (para subir o nível da sua agilidade e da altura do seu pulo) e causar destruição ainda é agradável, mas não é forte o suficiente para compensar as numerosas deficiências do jogo.

A partir do momento que você assume o controle do seu personagem, é difícil fugir da sensação de que Crackdown 3 não parece um game de 2019. Desconsiderando a draw distance (tecnologia que estabelece até que distância o game processa seus gráficos), o visual é decepcionante e se apoia demais em recriar a simples aparência cartunesca dos outros Crackdown.

O único avanço tecnológico que o jogo pode se orgulhar – a destruição em larga escala alimentada pelos servidores na nuvem da Microsoft – é reservado inteiramente para o modo online Wrecking Zone, que usa mapas específicos ao invés de permitir que você exploda partes da cidade do game. Não há destruição significativa na campanha. Por isso, esse mundo parece não ter vida. É como se algum elemento importante estivesse faltando.

Muito pouco a se fazer

Screenshot Crackdown 3

A abertura do jogo acontece numa pequena área da cidade e estabelece a estrutura básica dos seus objetivos. Ou seja, dominar as várias bases de um chefe em particular para localizá-lo (a) e depois enfrentá-lo (a) – o que, na maior parte dos casos, consiste em uma batalha convencional na qual o inimigo tem mais energia que o normal.

O tutorial é um começo um pouco desconcertante. Para um jogo que trata de liberdade e de fazer coisas incríveis dignas de super-heróis, você surge confinado em uma área pequena, sem poderes e encarregado de matar alguns inimigos e remover um par de baterias que alimenta um outdoor próximo.

Pouco depois, o jogo se abre e você ganha acesso à toda a cidade e uma maior seleção de objetivos. Até aí, há esperança que a liberdade e a diversidade recém-obtidas vão fornecer a diversão que falta nessa área inicial. O problema é que o que você faz no começo do jogo é representativo da experiência completa. Existe muito pouco além.

Cada uma das diferentes facções apresenta desafios e objetivos únicos para completar. Mas rapidamente fica aparente que apenas detalhes superficiais distinguem uma da outra. Não importa a facção, você sempre vai estar atirando sem pensar contra uma onda infinita de inimigos até alcançar seu objetivo.

Ao chegar lá, você geralmente vai segurar um botão. De vez em quando, será preciso atirar em alvos brilhantes. Para um certo tipo de objetivo, é preciso atingir uma peça de maquinário ou arremessar uma rocha por debaixo (sempre duas vezes) para destruí-la. Mas depois de múltiplas horas disso, a ação simplesmente se esvai.

Screenshot Crackdown 3

Todas essas bases que você completa são apenas mais um item para ser ticado de uma lista de tarefas, ao invés de um desafio satisfatório que você fica ansioso para encarar.

Meu jogo travou lá pela metade da campanha e perdi algum progresso por causa disso, mas graças à similaridade absurda dos objetivos, honestamente não tinha certeza se estava repetindo algo que já havia completado. Uma das maiores críticas ao Crackdown original era a falta de coisas para fazer. E apesar de, no papel, a quantidade aqui ser maior, a maioria parece encheção de linguiça ao invés de um conteúdo que valha seu tempo.

Repetição sem fim

Inimigos interessantes poderiam dar ânimo aos objetivos mecânicos de Crackdown 3, mas eles também sofrem da falta de diversidade. Existem diferentes arquétipos com seus próprios padrões de ataque, mas que não conseguem agitar a ação – apesar de alguns voarem, terem escudos, te perseguiram ou pilotarem mechas.

Por conta da grande quantidade de dano que causam, os atiradores de elite foram os únicos inimigos que me forçaram a mudar minha abordagem padrão de atacar o que estivesse mais perto de mim. Armas são mais ou menos efetivas contra certos tipos de alvos, mas algumas são tão poderosas que não há necessidade de avaliar com cautela o que usar. Você pula de objetivo em objetivo pelo mapa, segura o botão de gatilho para travar a mira nos inimigos, torce para que o alvo certo seja escolhido (isso não é uma garantia) e depois explode geral.

E até aí ok. Crackdown 3 não é um jogo em que você deve pensar com cuidado no seu arsenal e na maneira precisa de abordar uma luta. Teoricamente, você é um super-herói que consegue dominar o que pintar pela frente. Mas a combinação de objetivos banais e adversários dispensáveis faz com que os combates sejam idiotas e, em certos momentos, até entediantes, o que é algo estranho para um jogo repleto de explosões e inimigos voando de telhados.

Se fôssemos colocar num gráfico o nível de empolgação em jogar toda a campanha, haveria poucos picos e pontos baixos. É como se Crackdown 3 fosse um constante ruído branco. Só bem lá pra frente no jogo você tem acesso às armas (tem uma que cria buracos negros) e habilidade de alto nível (como levantar e arremessar tanques de guerra) que tornam o combate algo mais divertido.

À essa altura do campeonato, no entanto, os objetivos e encontros repetitivos já encheram o saco há bastante tempo. Escalar os arranha-céus que servem de quartel-general para os últimos chefões proporcionam algumas das poucas batalhas memoráveis do game, mas elas só servem para enfatizar o quão repetitivo é o resto de Crackdown 3.

Mas há alguma diversão fora dos objetivos principais. Dirigir por dentro dos anéis de acrobacias é um belo desafio, apesar da solução geralmente depender da habilidade do seu veículo de pular. Seu carro da Agência pode ser convocado a praticamente qualquer hora e pode assumir várias formas, o que é um conceito legal que acaba prejudicado pelos fracos controles de direção do jogo – parece que você está guiando por uma pista de gelo.

As corridas pelos telhados, em que você precisa ir de checkpoint a checkpoint a pé, geralmente pulando de um edifício para o outro, são emocionantes. Assim como os quebra-cabeças de escalada, que te desafiam a subir estruturas altíssimas e são eletrizantes. Só se certifique de fazer essas atividades assim que você cumprir os requisitos mínimos de agilidade. Espere muito e aquele prazer de acertar um pulo difícil vai pro ralo, pois você vai conseguir superar vários obstáculos sem grandes dificuldades.

Zona de destruição

O multiplayer cooperativo melhora as coisas no geral e deixa você correr contra um amigo e participar de diversas peripécias. E a velha máxima de Crackdown de pegar alguém dirigindo um carro e arremessá-lo – seja para ajudá-lo a chegar a um objetivo distante ou apenas pela zoeira – continua sendo uma maneira hilária de interagir com outro jogador.

Mas tudo isso apenas mascara o profundo problema do jogo: a ação é simplesmente repetitiva. Em vários momentos me peguei torcendo para que eu e meu parceiro tivéssemos algo que valesse a pena fazer juntos. Mesmo assim, o modo cooperativo é a melhor forma de jogar a campanha de Crackdown 3.

Já a Wrecking Zone, o multiplayer competitivo do game, traz os tão hypados elementos de destruição em massa processados pela tecnologia de nuvem da Microsoft – mas não vai muito além disso.

Existem dois modos diferentes de 5 contra 5: Agent Hunter, onde você mata inimigos e coleta os distintivos que eles derrubam para marcar pontos, e Territories, onde você captura e defende zonas para pontuar. Assim como a campanha, nenhum dos dois traz algo de novo à mesa e ambos depositam o grosso do trabalho nos tiroteios e na destruição. O que você vê nas suas primeiras partidas vai se repetir ad infinitum, com pouca margem de mudança.

Ao invés de exigir que os jogadores mirem livremente, a Wrecking Zone permite que você aperte um botão para travar a mira nos inimigos – o que funciona até em longas distâncias. Fazer isso alerta os inimigos da sua posição, mas como é algo fácil de se manter, assegurar um abate raramente é divertido ou passa a sensação de ser algo merecido.

O que também significa que as mortes costumam ser frustrantes. Isso porque elas tendem a ser o resultado de alguém te avistando primeiro de um ângulo difícil de escapar ou de se esconder. Assim, os duelos acabam sendo o resultado de dois jogadores segurando seus respectivos botões de gatilho e pulando de um lado pro outro, sem muito propósito, até que alguém precise recarregar sua arma no meio da batalha. O resultado nunca é satisfatório.

A destruição na Wrecking Zone é a única característica que se destaca, mas ela é subutilizada. Tecnicamente falando, é algo impressionante. O espetáculo de ver edifícios se desmontando é delicioso. Entretanto, existe um ligeiro atraso entre o momento em que você espera que as coisas desmoronem e quando isso de fato acontece – provavelmente devido ao fato da destruição estar sendo processada na nuvem, e não dentro do seu console.

É uma espera quase imperceptível, mas suficiente para causar uma sensação de desconexão entre o que está acontecendo na tela. A despeito disso, explodir coisas é a parte mais divertida da Wrecking Zone, o que acaba sendo frustrante também já que isso não está ligado a nada do que você é encarregado de fazer.

Há momentos em que você poderá destruir um andar ou parede para expor a posição de um adversário, mas na maioria das vezes é mais sábio simplesmente se reposicionar. A destruição tende a ser um evento incidental, ao invés de um aspecto central do gameplay de Crackdown 3. Por causa disso, a Wrecking Zone entra em confronto com sua única característica notável: sua melhor oportunidade de apreciar a destruição é se ausentar totalmente da ação e torcer para que ninguém te incomode enquanto você explode tudo.

Dar os famosos pulões entre telhados e coletar orbs – que ainda contam com um dos melhores efeitos sonoros de todos os tempos – é divertido e recompensador, já que essa tarefa tem relação direta com o aumento na altura dos seus pulos. E levantar grandes objetos e arremessá-los contra adversários é uma alternativa igualmente divertida aos típicos tiroteios. Assim como nos seus predecessores, esses dois superpoderes são a fonte primária de entretenimento de Crackdown 3.

Mas logo fica aparente que o jogo tem muito pouco de novo a oferecer além de uma tecnologia legal de destruição que nunca é usada 100%. Crackdown 3 certamente entrega no quesito “exploda coisas e pule pela cidade”. Entretanto, 12 anos depois do primeiro Crackdown propiciar essa mesma experiência e falhar em ter conteúdo suficiente em torno disso, é realmente decepcionante observar esse novo game sofrendo dos mesmíssimos problemas.

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4 0
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Crackdown 3 / Xbox One

Pontos Positivos
Depois de ficar poderoso, é divertido pular alto e jogar tanques na cara dos inimigos.
As corridas por telhados e as missões de escaladas de arranha-céus são eletrizantes.
Pontos Negativos
A vasta maioria dos objetivos é repetitiva e desinteressante.
Grande parte dos inimigos são bucha de canhão e sofrem de diferenciações significativas.
A física de direção é frustrante e imprecisa.
A Wrecking Zone traz combates que não são satisfatórios e que não fazem bom uso da sua tecnologia de destruição.
5
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Crackdown 3

  • Data de Lançamento: Pendente
    • PC
    • Xbox One
    Crackdown 3 entregará uma experiência inédita de verticalidade e caos com funcionalidade multiplayer.
    Desenvolvedora:
    Reagent Games
    Publisher:
    Microsoft Game Studios
    Gênero(s):
    Ação, Aventura
    Pendente