REVIEW

Death Stranding review — Uma pedra no caminho

  • Data de Lançamento: 08/11/2019
  • Data do Review: 1 de novembro, 2019
  • PlayStation 4

Daria uma excelente série de ficção científica.

por Pedro Scapin | @PedroScapin17 em 1 de novembro, 2019

Hideo Kojima conquistou uma legião de fãs com os jogos da série Metal Gear, e quando o japonês anunciou um novo, ambicioso e misterioso projeto chamado Death Stranding, a comunidade gamer foi ao delírio.

Os anos se passaram e Death Stranding se envolvia cada vez mais em mistérios e segredos, enquanto o mundo lutava para entender sequer uma peça deste enorme e confuso quebra-cabeças.

Quando finalmente pude colocar as mãos em Death Stranding, o que encontrei foi um jogo com gráficos lindos, uma história de ficção científica capaz de deixar os mais experientes diretores de Hollywood com inveja, batalhas tensas e cinematográficas contra chefões, um interessante sistema de multiplayer e, infeliz e fundamentalmente, uma experiência majoritariamente frustrante e entediante.

Death Stranding

Death Stranding é como um cookie, só que o biscoito, que compõe cerca de 70% do alimento, aqui é transformado em um martírio de gameplay, enquanto as poucas gotas de chocolate são traduzidas nos pontos altos que citei acima.

Não é que Death Stranding seja um jogo ruim, não me entendam errado. O problema aqui é a excessiva repetição de um ciclo de gameplay que foca no que o game tem de pior.

A essência de Death Stranding está no protagonista Sam Bridges percorrendo o extenso território daquilo que um dia foram os Estados Unidos enquanto reconecta diversos lugares e seus habitantes em uma rede nacional de comunicação.

E o maior problema disso está no suplício que é atravessar o mapa do game. Quase todo o solo é coberto por rochas, que atrapalham constantemente a movimentação de Sam, seja a pé, ou dirigindo motos e caminhões.

Death Stranding

Isso sem falar na incessante necessidade de equilibrar as cargas que Sam deve levar de um ponto a outro. Na grande maioria das vezes, a movimentação do protagonista fica comprometida por conta do peso que ele carrega, e quando misturamos isso ao terreno ruim, toda a experiência se torna desgastante.

Pelo menos isso é amenizado pelo brilhante sistema de multiplayer social de Death Stranding. Ele permite que os jogadores deixem pelo mapa alguns importantes itens, como cordas de alpinismo, escadas e até armas. Com isso, escalar uma montanha ou descer um penhasco nem sempre é um problema.

E ainda bem que Kojima é dono de um dos cérebros mais criativos do mundo do entretenimento, pois a trama de Death Stranding é absolutamente viciante. A história de desenrola aos poucos, e a cada novo fato apresentado, a imagem daquele confuso quebra-cabeça sobre o qual comentei no início do review vai se tornando mais clara.

Mas não vá pensando que a história de Death Stranding é simples. Muito pelo contrário. Kojima construiu uma trama formada por vários arcos e camadas, muitas reviravoltas e um desenvolvimento exemplar de personagens, com os quais eu acabei criando inevitáveis laços, como acontece em ótimos livros.

Death Stranding

No meio disso tudo, Sam se depara com algumas das batalhas mais divertidas e tensas que tive contra chefões em jogos recentes. E nelas, o multiplayer social de Death Stranding mais uma vez se destaca. Nem sempre você está preparado para um confronto dessa magnitude, e receber itens bem na hora H é um grande alívio. Em mais de uma vez eu só consegui passar pelo inimigo graças a um rifle e uma bolsa de sangue presenteados por outra pessoa.

Por último, mas nem um pouco menos importante, é preciso ressaltar o trabalho sensacional da Kojima Productions nos gráficos de Death Stranding. O game utiliza a engine Decima, a mesma de Horizon Zero Dawn, e vai além daquilo que o jogo da Guerrilla Games foi capaz de fazer, para entregar uma experiência absolutamente estonteante.

Tudo em Death Stranding é realista: as paisagens, os itens, a movimentação da neve quando passamos por ela, as expressões faciais – dá pra ver até os poros nos rostos dos principais personagens. Mandou bem demais, Kojima Productions.

Depois de quase 40 horas, saio de Death Stranding decepcionado com o frustrante ciclo que a maioria de seu gameplay oferece – e com a escolha de Kojima em dar tanto foco a esse aspecto, mas curioso para descobrir mais informações sobre sua viciante trama, e abismado com os gráficos do game.

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7 0
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Death Stranding / PlayStation 4

Pontos Positivos
História viciante
Gráficos belíssimos
Batalhas memoráveis contra chefões
Sistema de multiplayer social
Pontos Negativos
Gameplay desgastante
Muito foco na pior parte do jogo
7
Bom

Sobre o Autor

Pedro Scapin | @PedroScapin17

Desde sempre com um controle de videogame nas mãos, fã de Bloodborne, viciado em FPS e jogos de esporte, e órfão de sua fita de Pokémon Crystal.

Twitter e Instagram: @PedroScapin17

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Death Stranding

  • Data de Lançamento: Pendente
    • PlayStation 4
    Exclusivo de PS4 produzido pela empresa do lendário Hideo Kojima, Kojima Productions.
    Desenvolvedora:
    Kojima Productions
    Publisher:
    Sony Interactive Entertainment
    Gênero(s):
    Ação
    Pendente