REVIEW

Fallout 76 review — A terra dos grandes problemas

  • Data de Lançamento: 14/11/2018
  • Data do Review: 23 de novembro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Uma aventura de qualidades apocalípticas.

por Igor Pontes em 23 de novembro, 2018

Fallout 76 é a tentativa da Bethesda de expandir para o online os horizontes de uma das suas maiores franquias. Afinal, se deu certo com The Elder Scrolls, por que não daria com Fallout? Mas não é bem assim. Independentemente de ser um jogo fraco tecnicamente, com uma engine ultrapassada e bugs que doem o coração, Fallout 76 peca mais por deixar de lado sua habilidade em construir mundos ricos e fascinantes. Com isso, acaba enterrando a alma e o coração da série.

Sem ninguém pra conversar

Fallout 76 começa como todos os outros jogos da franquia, com seu personagem acordando em um dos bunkers criados para proteger a humanidade do caos nuclear. Desta vez, no entanto, você faz parte do grupo de primeiros humanos a pisar na terra desolada.

Mas isso traz um dos principais problemas de Fallout 76: a falta de NPCs. A “desculpa” dada pela Bethesda é que, como o Vault 76 seria o primeiro a ser aberto depois da catástrofe nuclear, não há ninguém andando por aí. Cabe aos jogadores do game o repovoamento e a reconstrução da Terra. Mas isso infelizmente acaba deixando o jogo sem uma parte importante do seu universo, que são os diálogos e interações com os membros desse mundo desolado.

Fallout não é só sobre supermutantes ou moscas radioativas gigantes. Grande parte da graça do jogo vem do seu humor negro, da interação do personagem com outras pessoas que estão na mesma situação que a dele, mas vivem como se não fosse nada demais o fato do mundo estar de cabeça para baixo.

Explorar a Virgínia Ocidental sem poder interagir com outras pessoas que não sejam outros jogadores é como entregar um bolo de aniversário sem recheio. Ele pode até parecer gostoso por fora, mas ao morder você sente que falta alguma coisa importante.

Por conta disso, as missões são passadas por gravações e anotações espalhadas pelo mapa, fazendo você andar de terminal em terminal, explorar corpos de pessoas mortas, pra saber o que tem pra fazer nesse esvaziado apocalipse.

E sinceramente? Não seria difícil para a Bethesda incluir alguns sobreviventes improváveis nesse mundo, permitindo ao jogador travar diálogos, usar suas habilidades de verdade e até mesmo ser afetado pelo sistema de carma, como acontece nos outros jogos da franquia.

Solidão radioativa

Levando especialmente em consideração os jogadores de Fallout das antigas, Fallout 76 será um jogo do tipo ame ou odeie. Fãs mais tradicionais do RPG não querem necessariamente ficar interagindo com outros jogadores, o que pode tornar a experiência um tanto quanto cansativa e solitária.

Talvez houvesse solução se o jogo seguisse os moldes de Destiny, onde os jogadores coexistem no lobby do jogo e em certas atividades, mas cada um com sua campanha resguardada. No entanto, ao remover boa parte de sua vida natural, a área de Virgínia Ocidental se transforma numa grande arena de sobrevivência – cooperativa ou não, dependendo da sua vontade de se aliar a outros habitantes.

Mesmo porque, dentro dela, não há nada demais além de monstros para matar e missões sem carisma para serem completadas.

Por outro lado, a parceria com outras pessoas para completar missões nesse apocalipse online sofre com combates travados, consequência da tecnologia datada de Fallout 76, e a desconstrução do V.A.T.S., um dos recursos mais divertidos e úteis da série desde Fallout 3.

O V.A.T.S. é um sistema que permite escolher qual parte do corpo do adversário será atacada, colocando na jogada porcentagem de acerto que varia com base no tipo de inimigo, na arma usada e na armadura equipada. Além de ajudar com a mira, o V.A.T.S. é uma baita força estratégica, especialmente quando o jogador se depara com muitos monstros (ou humanos) ao mesmo tempo.

Porém, em Fallout 76, a habilidade não existe desde o começo. Você precisa melhorá-la conforme sobe o nível do seu personagem, tornando os conflitos do jogo ainda mais sem graça por um bom tempo.

Influenciando o apocalipse

Uma das minhas melhores lembranças com Fallout 3 é a missão de Tenpenny Tower, onde você podia resolver na diplomacia (ou na base da violência) a situação entre humanos e Ghouls, pessoas que foram afetadas pela radiação. Essa talvez seja uma das melhores missões do jogo graças aos personagens que estão nela e ao fato das opções de diálogo mudarem completamente a dinâmica da aventura.

Mas isso não acontece em Fallout 76. Não existem Ghouls bonzinhos querendo um lugar pra ficar, humanos tentando sobreviver ou vivendo em sociedade como se nada tivesse acontecendo. É o caso de Megaton, cidade de Fallout 3 que possui uma bomba cravada bem no seu centro. Ou até mesmo de Fallout 4 que, apesar de todos os problemas, te motivava a procurar pelo seu filho.

Falta algo que mova a história de Fallout 76 a não ser a desculpa de explorar Virgínia Ocidental e montar uma “casa”. E mesmo assim, em termos técnicos, o jogo apresenta várias quedas na taxa de quadros e personagens emperrando no meio do nada. Em nossa jogatina, por exemplo, o game travou várias vezes e precisou ser reiniciado.

Mas há coisas que podem ser salvas. O sistema de perks (ou habilidades) está mais simplificado e se baseia num esquema de cartas bem explicativo, que ajuda a entender realmente quais habilidades você deve evoluir com base no seu estilo de jogo. Nos Fallout anteriores, isso era feito por um tipo de ficha de RPG de mesa, o que, convenhamos, não facilitava muito.

Fallout 76 é um produto problemático em um universo rico em temática e personagens. Por mais que a ideia de um mundo 100% online seja válida, o jogo acaba se perdendo em uma imensidão de inimigos que não empolga nunca. Para quem está acostumado a um universo retrô repleto de personagens estranhos e aventuras cabulosas, viver em Fallout 76 passa a impressão de que teria sido menos doloroso morrer em meio a esse apocalipse.

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Fallout 76 / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Sistema de perks foi repaginado e ajuda a entender melhor o que precisa ser aprimorado.
Pontos Negativos
Falta de NPCs transforma o jogo num quintal vazio com coisas chatas pra se fazer.
Sistema de combate travado e fraco.
Engine da Bethesda mostra sinais de cansaço.
4
Ruim

Sobre o Autor

Igor Pontes

Jornalista, Mestre Pokémon desde criancinha e ainda sonha que a Cidade de Pallet é seu lugar. Fã de e-Sports e de RPGs, e morre de medo até hoje do primeiro Silent Hill.

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Fallout 76

  • Data de Lançamento: 14 de novembro, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    O mais novo capítulo de Fallout te leva para o mundo do "Reclamation Day" em uma América do Norte pós-nuclear.
    Desenvolvedora:
    Bethesda Game Studios
    Publisher:
    Bethesda Softworks
    Gênero(s):
    RPG
    Pendente