REVIEW

Far Cry: New Dawn review — Apocalipse colorido

  • Data de Lançamento: 15/02/2019
  • Data do Review: 14 de Fevereiro, 2019
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Spin-off apresenta gameplay agitado e belos cenários, mas peca pela falta de inovação e história arrastada.

por Gabriel Oliveira em 14 de Fevereiro, 2019

A primeira pergunta que fiz quando Far Cry: New Dawn foi confirmado como sequência/spin-off de Far Cry 5 foi: precisava mesmo? Seja pelo pouco tempo de produção do jogo, lançado menos de um ano depois do seu antecessor, ou pelos sinais de desgaste da fórmula Far Cry. A verdade é que New Dawn apresenta problemas na estrutura de sua história, extremamente arrastada em alguns momentos, e não traz nenhuma grande inovação de gameplay para a franquia.

Por outro lado, as missões principais (e algumas secundárias) são marcadas pelo já conhecido ritmo frenético e constante senso de urgência da franquia. Enquanto o mundo pós-apocalíptico florido e colorido de New Dawn é uma alternativa interessante às tradicionais paisagens de natureza selvagem que costumam aparecer em Far Cry.

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De modo geral, Far Cry: New Dawn deixa em diversos momentos a impressão de que foi um jogo feito às pressas para aproveitar o embalo do quinto capítulo da série. E isso pode prejudicar a experiência de quem busca mais do que apenas trocar tiros e coletar itens para construir armamentos e veículos melhores.

Novo amanhecer pouco inspirado

ALERTA DE SPOILER DE FAR CRY 5: no final do jogo, uma bomba atômica explode e concretiza a profecia apocalíptica do vilão Joseph Seed. É o fim do mundo como o conhecemos, embora a destruição de Hope County não acarrete necessariamente no fim da humanidade.

Far Cry: New Dawn se passa 17 anos após esse desfecho e apresenta um grupo de sobreviventes que volta à superfície após quase duas décadas no subsolo. Eles buscam erguer a comunidade de Prosperity… até que os Salteadores, grupo armado comandado por Lou e Mickey, duas irmãs gêmeas extremamente violentas e com claros traços de psicopatia, decide que os cidadãos não merecem desfrutar desse momento de paz.

O personagem controlado pelo jogador não é um membro original de Prosperity, mas um homem que escapou das garras dos Salteadores – sorte essa que dois de seus amigos não tiveram – e alcançou a pequena comunidade. Ele acaba conquistando a confiança do grupo e passa ser chamado de Capitão, ajudando o grupo a fortalecer sua presença na região.

Tendo como principal aliada a jovem Carmina Rye, filha de Kim e Nick Rye, de Far Cry 5, você embarca numa série de missões que vão desde o resgate de especialistas, que ajudam no combate e em melhorias para Prosperity, até a coleta de itens para a construção de novas armas. E é aí que alguns dos problemas na estrutura da história ficam mais evidentes.

Com exceção da última missão, todo o primeiro ato do jogo parece uma grande série de atividades de pouco impacto na trama principal de Far Cry: New Dawn. Para piorar, Lou e Mickey, ao contrário dos jogos anteriores da série, não são vilãs marcantes. Na maior parte do tempo, as duas parecem mais coadjuvantes de uma história onde deveriam ser o fio condutor.

Isso fica ainda mais evidente no segundo ato, pois a sombra de Joseph Seed, desaparecido desde o fim dos eventos de Far Cry 5, paira por toda a trama. E os encontros com membros do Novo Éden, o grupo de seguidores do fanático religioso, deixa ainda mais evidente a necessidade de New Dawn se apoiar em seu antecessor.

Que fique claro: as conexões com Far Cry 5 são necessárias e bem-vindas, pois é o que se espera de jogos que acontecem em um mesmo universo. O problema é que New Dawn tinha a promessa de apresentar novas antagonistas carismáticas – e isso acaba sendo uma de suas maiores dificuldades.

Nada de novo no front (pós-apocalíptico)

O gameplay de Far Cry: New Dawn traz mudanças interessantes em termos de armas e veículos. Como estamos em um mundo pós-apocalíptico, quase todos os equipamentos disponíveis são gambiarras divertidas feitas com sucata espalhada pelo mapa. A arma disparadora de serras, que pinta logo no começo da campanha, simboliza bem essa necessidade de trabalhar com o que se tem.

Ao longo de toda a aventura, é preciso coletar recursos como fitas adesivas, molas e espólios de animais, que precisam ser mortos com cuidado para não fugirem ou, no caso de ursos, cães e javalis, atacarem você. No entanto, o recurso mais importante para garantir acesso a armas melhores, uma barra de vida maior e veículos mais rápidos é o etanol. E para consegui-lo em grandes quantidades, é necessário tomar o controle de postos avançados controlados pelos Salteadores.

Embora não seja obrigatório, dominar esses postos é fundamental para ter acesso a aprimoramentos imprescindíveis ao longo da campanha. E é por lá que acontecem os combates frenéticos e táticos de New Dawn, ponto alto do jogo, apesar de não serem nada muito diferente do que já apareceu em outros Far Cry.

A busca por recursos e a participação nessas missões secundárias alongam a campanha de New Dawn. Embora as 22 missões de história sejam relativamente rápidas, realizar atividades secundárias têm peso decisivo, pois essa é melhor forma de conseguir as melhorias necessárias para completar as missões em estágios mais avançadas do jogo.

No entanto, explorar os cenários cheios de vegetação, rios e, principalmente, flores rosas, parte integral da identidade visual de New Dawn, pode ser cansativo. Como os veículos têm dificuldade de passar por matas fechadas e terrenos rochosos, muitas vezes é necessário percorrer trechos extensos a pé – pelo menos até o recurso de viagem rápida ser habilitado em Prosperity. Para isso, porém, é necessário tomar o controle de vários postos avançados e acumular etanol o bastante para fazer as melhorias em sua base em Hope County.

Ou seja: é o mesmo loop de Far Cry over and over again.

Caprichado, pero no mucho

No aspecto visual, Far Cry New Dawn faz uma releitura original de um mundo pós-apocalíptico, com cenários marcados por um colorido vibrante. Intencionalmente ou não, parece ser um recado irônico dos desenvolvedores de que a Terra ficaria melhor se a raça humana morasse no subsolo por uns 20 anos.

O capricho dos cenários também se repete com os animais, que apresentam visuais bem realistas – com exceção, obviamente, das criaturas que adquiriram um aspecto um tanto bizarro em função dos efeitos do ataque nuclear.

O mesmo não se pode dizer, porém, de diversos personagens. Embora nenhum seja necessariamente mal feito, a maioria é pouco expressiva e apresenta feições genéricas – e isso inclui até aqueles com papel ativo na campanha. Apesar de isso não se aplicar à dupla Lou e Mickey, New Dawn, de modo geral, deixa um pouco a desejar nesse aspecto.

Um jogo feito para “fãs fiéis”

Far Cry: New Dawn é um jogo claramente feito para quem é bem fã da série e, principalmente, para quem tem interesse em saber o que houve com Hope County após os eventos de Far Cry 5. O curto período de produção deixa a impressão de um trabalho feito a toque de caixa principalmente em relação à história, que tem poucos momentos marcantes.

Lou e Mickey repetem a fórmula já conhecida de antagonistas psicopatas, mas em nenhum momento conseguem movimentar a trama da forma como Vaas e o próprio Seed fizeram em Far Cry 3 e Far Cry 5, respectivamente.

Ainda assim, o jogo consegue entregar um gameplay com missões principais e secundárias interessantes, principalmente as que requerem uma abordagem tática em meio a trocas de tiro frenéticas, e exige um bom engajamento na coleta de itens e realização de missões paralelas para a evolução de seu personagem e armamentos.

O capricho visto nos cenários não se repete com a maioria dos personagens, o que reforça a impressão de que o jogo seria melhor se não fosse lançado tão cedo. Em suma, Far Cry: New Dawn funciona como um mais do mesmo que não é ruim, mas carece de brilho para se justificar como um spin-off obrigatório.

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8 0
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Far Cry: New Dawn / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Gameplay tem missões variadas e valoriza exploração do mapa.
Visual dos cenários mostra uma visão original de um mundo pós-apocalíptico.
Sistema de criação de armas permite acesso a equipamentos que refletem bem um mundo com poucos recursos.
Pontos Negativos
Trama do jogo é arrastada e tem poucos momentos marcantes.
No papel de antagonistas, Lou e Mickey acrescentam pouco à história.
Visual de personagens é genérico e destoa do capricho visto nos cenários.
7
Bom

Sobre o Autor

Gabriel Oliveira

Jornalista fã de JRPGs, quadrinhos, mangás e Harry Potter. Entrei no mundo dos games com um Super Nintendo e ainda espero, provavelmente em vão, por uma sequência da série Chrono.

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Far Cry: New Dawn

  • Data de Lançamento: 15 de fevereiro, 2019
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Desenvolvedora:
    Ubisoft Montreal
    Publisher:
    Ubisoft
    Gênero(s):
    3D, Ação, Mundo Aberto, Tiro em Primeira Pessoa, Shooter
    Pendente