REVIEW

Jump Force review — Carnaval otaku

  • Data de Lançamento: 15/02/2019
  • Data do Review: 22 de Fevereiro, 2019
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Festa de personagens de animes e mangás se destaca por elenco vasto, mas peca por gameplay limitado e visuais fracos.

por Gabriel Oliveira em 22 de Fevereiro, 2019

Jump Force não é um grande jogo de luta. Na verdade, Jump Force não é grande nem mesmo dentro do sub-gênero de jogos de luta de anime. Mesmo assim, consegue ser divertido dentro de suas limitações – desde que você consiga perdoar as falhas técnicas e decisões controversas de design para aproveitar o que ele oferece de melhor: um verdadeiro carnaval otaku.

Não é todo dia que vemos juntos os personagens de alguns dos animes e mangás mais famosos da história – e outros nem tão conhecidos assim. E essa reunião dá a real noção do quanto a revista japonesa Shonen Jump contribuiu para a formação de diversas gerações de fãs de animes e mangás em seus 50 anos de história.

Dito isso, é preciso destacar: Jump Force não passa em nenhum momento de um jogo mediano. Seja por conta do gameplay excessivamente frenético e de pouca variação, pela história pouquíssimo inspirada ou pela aparência esquisita de vários personagens, que acabam ficando no meio do caminho entre seus desenhos originais e uma tentativa fracassada de visual fotorrealista.

Vingadores da Shonen Jump

Jump Force

Quem cresceu assistindo a animes ou lendo mangás como Dragon Ball, Naruto, One Piece, Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho provavelmente já projetou confrontos hipotéticos entre os personagens dessas obras.

E embora não seja o primeiro jogo com essa proposta (quem aí se lembra de Battle Stadium D.O.N, lançado em 2006 para PlayStation 2 e GameCube?), Jump Force certamente foi o que mais investiu em marketing. Por isso, é decepcionante ver a trama mirabolante criada para reunir essa turma toda.

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A história começa com uma batalha entre Freeza e personagens de Dragon Ball Z, One Piece e Naruto, que, por alguma razão desconhecida, vieram parar no nosso mundo. Durante o combate, seu personagem, um pacato cidadão, é ferido gravemente, mas acaba sendo salvo por um artefato chamado Cubo Umbra, que também lhe confere poderes mágicos.

E é aí que Jump Force consegue um de seus maiores êxitos: dar ao protagonista a capacidade de criar um estilo de luta que combina técnicas de vários personagens. Fã de Naruto, Yu Yu Hakusho e Cavaleiros do Zodíaco? Fique tranquilo, pois dá para equipar Rasengan, Leigan e Cólera do Dragão (Shiryu > Seiya) de uma só vez.

A partir daí, você se junta à J-Force, a iniciativa Vingadores do universo Shonen Jump. A organização é formada inicialmente por certos personagens de Naruto, Dragon Ball e One Piece para investigar o mistério do planeta: por que os universos de diversos animes e mangás se uniram ao nosso mundo?

Jump Force

A J-Force tem três divisões. A alfa é comandada por Goku, a beta é liderada por Luffy e a gama é chefiada por Naruto. Já o “Nick Fury” desse universo atende pelo nome de Diretor Glover e tem como plano enviar os heróis em diversas missões pelo mundo para impedir os ataques dos Venom, criaturas contaminadas que são comandadas pela dupla de vilões do jogo, Kane e Galena.

O problema é que, além dos Venom, vários dos heróis do universo Shonen Jump também foram contaminados pelos Cubos Umbra. Cabe a você resgatá-los e trazê-los para a equipe.

No entanto, a forma de acessar as missões é excessivamente arrastada e repetitiva. O jogador precisa ir a todo momento a um hub dentro da base da J-Force para embarcar nas missões. E embora os personagens de Naruto, Dragon Ball e One Piece recebam bastante destaque, os demais são apresentados de forma preguiçosa e estão lá claramente para completar elenco.

Isso não é exatamente uma questão, pois é inviável que num jogo com 40 personagens todos tenham o mesmo espaço na história. A grande questão é que Jump Force gasta tanto tempo até “apresentar” toda essa gente que os poucos momentos interessantes da história só acontecem depois de muita enrolação.

Para piorar, a maioria dos personagens secundários tem um desenvolvimento genérico e sem profundidade, e poucos deles lembram suas versões originais. É o caso, por exemplo, de Yusuke Urameshi, que é apenas uma sombra do arruaceiro debochado que roubava a cena em Yu Yu Hakusho.

Sobra ação, falta originalidade

Jump Force

Em termos de gameplay, Jump Force até é divertido e cheio de pirotecnias, trazendo de maneira competente aquela explosão das lutas de anime. O problema é que o jogo nunca passa disso. Muitas vezes há tantos elementos na tela que as batalhas se tornam caóticas demais. E ver um jogo desse lançado pouco mais de um ano depois de Dragon Ball FighterZ o deixa ainda mais pálido.

O estilo de luta em arenas tridimensionais vem sendo explorado à exaustão em jogos de anime, mas fato é que, dentro dessa proposta, Jump Force não figura no hall dos melhores. O jogo até pode compartilhar do estilo de luta frenético e repleto de luzes e explosões da série Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi, mas não das mesmas variações.

Para citar um jogo da atual geração, Naruto: Ultimate Ninja Storm 4 mostrou há três anos que é possível ter batalhas nesse mesmo tipo de ambiente e com um gameplay muito mais variado. Por lá, jogar com um personagem extremamente ágil como Rock Lee, ou com um ninja melhor para lutas à média e longa distância, como Gaara, traz diferenças de fato no combate.

No caso de Jump Force, porém, essas diferenças acabam se resumindo muito mais aos movimentos especiais do que ao restante da luta. Na prática, você sempre usa os mesmos comandos para se aproximar do oponente e iniciar um combo. Tanto faz com que personagem isso acontece.

Há ainda o fato de, independentemente do jogador poder escolher até três personagens, um única barra de vida é compartilhada por todo o time. Isso faz pouco sentido, pois é inconcebível que um lutador que acaba de entrar na arena, em tese com energia total, possa morrer com um único golpe porque seu antecessor levou uma surra.

O gameplay de Jump Force é divertido com seu estilo exagerado e cheio de ação, mas a comparação com outros títulos evidencia a falta de inspiração em criar algo realmente original. No fim, a grande curtição é realmente ver heróis e vilões de universos variados trocando socos e disparando técnicas especiais de um lado a outro.

Nem cartunesco, nem realista

Jump Force

Outro fator que pesa contra Jump Force é a completa falta de zelo na construção da própria base da J-Force, onde as leis da física parecem ser completamente ignoradas. Ao descer uma simples escada, por exemplo, o seu avatar corre como se ela simplesmente não existisse. A falta de cuidado da Spike Chunsoft é tamanha nessa parte que fica evidente que um único movimento de corrida foi criado para todo o jogo, não importa o ambiente.

Além disso, Jump Force é repleto de paredes invisíveis. Ao visitar o posto da divisão alfa, por exemplo, tentei passar por um acesso que estava claramente aberto. Parecia que havia algo a se explorar ali, como um posto para atualizações ou algum personagem para interagir, mas não foi o caso. O meu boneco ficou correndo infinitamente sem sair do lugar, bloqueado por uma parede invisível. Isso é ainda mais assustador porque a base da J-Force é pequena.

Outra parte problemática é o estilo de arte. Enquanto os cenários e roupas dos personagens apresentam texturas realistas num nível satisfatório, embora não brilhante, muitos personagens do jogo estão distantes de seus designs originais e em nenhum momento convencem com seus visuais fotorrealistas.

Esse não é um problema que se repete com todos. Com os personagens de Naruto, por exemplo, essa transição não chega a incomodar. Porém, o mesmo não se pode dizer dos heróis e vilões de Dragon Ball Z.

Vegeta e Goku, por exemplo, parecem bonecos de borracha vivos e ficam ainda mais bizarros em suas transformações de Super Sayajin e Super Sayajin Azul. Em resumo, a aura em torno dos personagens faz parecer que eles foram besuntados em óleo quando adquiriram suas formas mais poderosas.

Os personagens de One Piece, por já terem traços exagerados, não chegam a incomodar com esse visual de brinquedos que ganharam vida, mas o mesmo não se pode dizer de Gon, de Hunter x Hunter, que apresenta um olhar estático extremamente incômodo, para dizer o mínimo, e de Seiya e Shiryu, que parecem ter vindo de algum jogo dos Cavaleiros dos Zodíaco da geração passada.

No fim das contas, a Spike Chunsoft acabou falhando em uma de suas principais apostas: o visual. A desenvolvedora não conseguiu criar de forma homogênea versões fotorrealistas de seus personagens e estabelecê-los em nosso mundo. Um cel shading, no fim das contas, talvez funcionasse melhor.

Uma festa para poucos

Jump Force

Jump Force tinha nas mãos uma verdadeira joia: a chance de reunir em um só jogo personagens de vários dos mangás e animes mais populares da história, muitos deles famosos mundialmente. Infelizmente, o que foi entregue fica muito abaixo de outros títulos do gênero – mesmo que separados por universo.

Seja no gameplay ou na história, o jogo falha tanto em trazer uma trama interessante como em introduzir novidades em um gênero que recebeu muitos títulos nos últimos anos, mas carece de grandes inovações. Os bons momentos do jogo se apoiam, basicamente, no apelo de seus personagens e numa jogabilidade intuitiva e de fácil aprendizado.

No fim, Jump Force não é uma opção para quem gosta de jogos de luta com um gameplay variado ou espera uma apresentação visual impecável, e sim para quem simplesmente quer se divertir com um elenco extenso e trocar socos e técnicas absurdas com Goku, Naruto, Seiya, Yusuke e companhia.

Nesse bloco otaku de carnaval, só vai se divertir de fato quem for mais pela zoeira do que pela expectativa de um grande evento.

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Jump Force / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Elenco variado reúne o que a Shonen Jump tem de melhor em sua história.
Liberdade para personalizar o estilo de luta do seu próprio avatar.
Gameplay intuitivo e de aprendizado rápido.
Pontos Negativos
Modo história arrastado e sem originalidade.
Sistema de combate carece de mais variações.
Visual fotorrealista não combina com estilo cartunesco de personagens.
Missões de resgate de personagens são repetitivas.
6
Regular

Sobre o Autor

Gabriel Oliveira

Jornalista fã de JRPGs, quadrinhos, mangás e Harry Potter. Entrei no mundo dos games com um Super Nintendo e ainda espero, provavelmente em vão, por uma sequência da série Chrono.

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Jump Force

  • Data de Lançamento: Pendente
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Jogo de luta que envolve personagens de diversos animes, como Dragon Ball, Naruto, Bleach e One Piece.
    Desenvolvedora:
    Spike Chunsoft
    Publisher:
    Bandai Namco Games
    Gênero(s):
    Ação, Luta
    Pendente