REVIEW

Overkill’s The Walking Dead review — Morto ou vivo

  • Data de Lançamento: 06/11/2018
  • Data do Review: 16 de novembro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Mate-me, por favor.

por Alessandro Barbosa em 13 de novembro, 2018

traduzido por Pedro Scapin em 16 de novembro, 2018

Apesar das aparências e das óbvias inspirações, Overkill’s The Walking Dead nem sempre parece ser um jogo de tiro. O game usa as regras estabelecidas pelos quadrinhos de Robert Kirkman, e pela subsequente adaptação para TV, de maneira errada, impondo normas desequilibradas em suas missões, algo que restringe demais a maneira de jogar. Combinado a uma variedade estonteante de mecânicas de sobrevivência enterradas debaixo de menus pouco intuitivos, opções de personalização sem sentido e a falta de incentivos para você melhorar seus equipamentos, tudo isso faz de The Walking Dead um jogo sem refinamento e foco.

Essa versão de The Walking Dead possui um novo elenco de personagens e quase nenhuma conexão com o restante da narrativa da série. Ela se passa no coração de Washington, nos Estados Unidos, enquanto você monta um acampamento e tenta sobreviver como um dos quatro protagonistas jogáveis.

Esses personagens são quase inanimados, sem nenhuma história além daquilo que já foi previamente divulgado. Nada sobre suas personalidades se materializa durante a trama – mesmo problema dos outros sobreviventes de seu acampamento. The Walking Dead te força a interagir com os habitantes de lá entre as missões, mas não te dá absolutamente nada para fazer com eles, o que torna ainda mais sacrificante se ligar aos seus destinos.

A trama também é rasa e conta apenas com slideshows de animações e narrações fornecendo contexto para cada uma das missões. A dublagem é monótona e lúgubre e o roteiro é vago e pouco interessante, existindo meramente para dar um fraco propósito aos objetivos sem criar uma história cativante. Os planos da Overkill são de adicionar mais conteúdo no formato de temporadas, mas a estreia não inspira muita confiança no futuro.

Em ação, The Walking Dead se apresenta como um jogo de tiro em primeira pessoa com os conhecidos aparatos de jogos cooperativos, coisa que títulos como Left 4 Dead e Payday executam com perfeição.

Mas apesar de você possuir duas armas de fogo e só uma de combate corpo-a-corpo, o jogo encoraja apenas o uso dessa última. Cada missão principal possui um medidor que enche sempre que você faz barulho. Atirar ou ativar uma das (quase impossíveis de ver) armadilhas, ou engajar em ações inevitáveis com inimigos, contribuem para este processo. E, eventualmente, evocam hordas de mortos-vivos em sua direção.

A força e o tamanho dessas hordas são determinadas por uma de três categorias do medidor, cada uma aumentando suas chances de insucesso. Na verdade, atingir a primeira delas já torna a maioria das missões difíceis demais de se completar, já que a constante aparição de inimigos pode entupir os estreitos caminhos do jogo a ponto de deixar a situação cômica.

É comum ver portas completamente bloqueadas por centenas de zumbis, o que força os jogadores a eliminá-los para avançar. É algo altamente repetitivo, desequilibrado e excessivamente punitivo, e isso faz com que as missões sejam tediosamente longas e frustrantes.

Como resultado disso, você acaba procurando sempre uma movimentação mais furtiva nas missões, principalmente quando está trabalhando em conjunto com sua equipe. Como parte de um time bem organizado, você consegue fazer pouco barulho e evitar inimigos, mas geralmente isso vai por água abaixo quando um jogador sai da linha. O que complica as coisas é a ausência de bate-papo por voz dentro do jogo. Acredite ou não, mas a comunicação deve ser feita exclusivamente por texto.

Se The Walking Dead não tornasse obrigatório jogar com outras pessoas, talvez não fosse um problema tão grande quanto parece. As missões já são desnecessariamente difíceis normalmente, mas são impossíveis de serem jogadas sozinhas. O número de inimigos não muda e os objetivos não são alterados de acordo com o tamanho da equipe, o que faz com que mesmo as primeiras missões sejam complexas demais sem amigos.

Isso fica exacerbado por um matchmaking nada confiável: é duro achar partidas com outros jogadores atualmente, o que pode paralisar por completo seu progresso até encontrar alguém para jogar com você.

Mesmo quando você supera as barreiras técnicas do matchmaking e os desnecessários aumentos de dificuldade, The Walking Dead não é interessante de se jogar. Suas missões seguem padrões idênticos, sempre com inimigos zumbis e acampamentos com adversários humanos.

Sua estratégia vai definir se você luta ou evita os grupos, enquanto busca objetos espalhados pela área para solucionar quebra-cabeças simplórios e progredir. Os puzzles nunca mudam, o que aumenta o nível de tédio das missões. E o pior é que não existem indicadores que tornem as coisas mais simples de serem encontradas. É frustração atrás de frustração até pra uma tarefa como caçar um fusível enquanto foge de inimigos.

Entre as missões padrão estão modos de sobrevivência baseados em ondas de inimigos bem simples, onde você precisa lutar contra humanos ou zumbis para proteger seu acampamento.

Esse é o único tipo de missão onde você é livre para trabalhar com as armas que desbloqueou sem ter que se preocupar em não fazer barulho. A ênfase aqui está em acertar a cabeça, especialmente nos mortos-vivos, e emplacar uma sequência de headshots pode ser bem divertido. Fora isso, o restante do gameplay não é nada memorável, assim como as armas que você encontra ao longo do caminho.

Você pode personalizá-las com aumento de alcance, dano e estabilidade. Mas esses atributos acabam sendo supérfluos, já que The Walking Dead nunca capitaliza em cima deles no gameplay de forma palpável. Isso faz com que as armas que você consegue logo no início sejam tão efetivas quanto as que aparecem no final.

O mesmo pode ser dito sobre os personagens jogáveis. Cada um possui habilidades únicas, sejam elas a habilidade de compartilhar kits médicos ou de atiras granadas de flashbang. Além de itens físicos, cada personagem também tem uma árvore de habilidades particular que fomenta seu estilo de jogo.

Aidan, com quem passei a maior parte do tempo jogando, tem skills que aumentam a quantidade de dano que você pode causar com pouca vida, por exemplo. Mas assim como as modificações para as armas, as habilidades nunca aparecem de forma tangível. Não importa quantas melhorias foram desbloqueadas, ou qual bastão de beisebol eu havia equipado, sempre eram necessários dois golpes leves ou um pesado para derrotar os zumbis.

The Walking Dead poderia ser facilmente descrito como um jogo de ação em 1ª pessoa… ou um simulador de gerenciamento. Apesar de seu acampamento ser deserto e sem vida, você terá que fornecer recursos para a manutenção, o que impacta seu progresso.

O mapa é restrito por certos upgrades que você fez em seu acampamento e isso também pode impedir seu avanço na história, forçando o grinding (a repetição de tarefas para subir de nível) para seguir nas missões principais. Existe um número honestamente ridículo de melhorias com as quais você tem que se preocupar, incluindo treinamento de armas, instalações médicas, postos de rádio e mais.

É sufocante tentar gerenciar cada aspecto de seu acampamento e é frustrante saber que sua progressão depende do engajamento frequente com ele. Juntando isso com menus pouco intuitivos e a falta de ferramentas de ensino que te guiem por estes sistemas, The Walking Dead não torna seu foco secundário de gerenciamento e sobrevivência algo fácil de analisar ou interessante o suficiente para se interagir.

Desde sua estrutura restrita de missões até a dificuldade desbalanceada e os meios frustrantes de progressão, The Walking Dead sofre para justificar o tempo que exige de você. É uma coleção de estilos de jogo empilhados um sobre o outro, sem a preocupação de saber se eles funcionam de uma maneira coesa uns com os outros, embrulhada por uma apresentação chata e um combate mundano que raramente empolgam. The Walking Dead é uma confusão de ideias sem direção. Não há razão para tentar entendê-lo.

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OVERKILL’s The Walking Dead / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Emplacar uma sequência de tiros na cabeça de zumbis pode ser prazeroso.
Pontos Negativos
Missões repetitivas, chatas e lentas.
Dependência de grinding para avançar no jogo.
Itens, habilidades dos personagens e upgrades são inexpressivos.
Mecânicas frustrantes desequilibram o gameplay e restringem desnecessariamente a maneira como você joga.
Gerenciamento de sobrevivência fica enterrado sob menus confusos.
3
Ruim
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OVERKILL’s The Walking Dead

  • Data de Lançamento: Pendente
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Nova experiência no universo de The Walking Dead, com elementos co-op e personagens e histórias inéditos.
    Desenvolvedora:
    Starbreeze
    Publisher:
    Starbreeze, 505 Games
    Gênero(s):
    3D, Ação, Tiro em Primeira Pessoa
    Pendente