REVIEW

Pokémon: Let’s Go, Pikachu! e Let’s Go, Eevee! review — Continuamos tendo que pegar

  • Data de Lançamento: 16/11/2018
  • Data do Review: 24 de novembro, 2018
  • Android, iOS, Switch

Uma nova Pallet.

por Jacob Dekker em 15 de novembro, 2018

traduzido por Igor Pontes em 24 de novembro, 2018

Pokémon: Let’s Go, Pikachu! e Let’s Go, Eevee! é uma linda – embora leve – reimaginação de uma das aventuras mais amadas da série. Enquanto algumas funcionalidades que os fãs esperam do jogo não estejam ali – como habilidades, reprodução e itens para segurar – Let’s Go tem bastante coisa para um jogo que tenta cativar uma galera mais jovem que nunca jogou um RPG de Pokémon. Ambos podem não ter o mesmo apelo dos títulos anteriores, mas revisitar Kanto e capturar alguns dos monstrinhos mais icônicos da franquia faz a jornada valer a pena.

Pokémon: Let’s Go te leva de volta à casa de Pokémon Red, Blue e Yellow. Nada mudou muito estruturalmente falando, mas a região até então feita em 8-bits foi recriada com detalhes vibrantes. Revisitar na telona do Switch alguns dos locais mais memoráveis da franquia, como a Floresta de Viridian ou a Cidade de Saffron, é uma alegria absoluta. Áreas que antes eram compostas de linhas e formas simples agora são florestas coloridas e cidades detalhadas.

Pokémon grandes e pequenos vagam pela selva, dando personalidade a região – você pode assistir um pequeno Horsea nadar velozmente pelas ondas ou um Onix gigante deslizar por uma caverna escura. A marcante trilha sonora original também foi remasterizada e soa melhor do que nunca.

Quem for familiarizado com os jogos originais ou seus remakes, FireRed e LeafGreen, não deve ter problemas navegando pelo mundo. Depois de ser introduzido ao seu parceiro Pokémon (Pikachu ou Eevee, dependendo da versão escolhida), você parte em uma aventura para coletar Insígnias de Ginásio, derrotar a Elite dos Quatro e por um fim a Equipe Rocket.

E apesar de existirem algumas surpresas, o layout da região e sua progressão por ela é quase idêntica a dos originais. Felizmente, Let’s Go joga fora alguns dos designs arcaicos de Red, Blue e Yellow. Por exemplo, os HMs, “golpes secretos” que permitiam passar por certos obstáculos, agora foram substituídos por “Secret Techniques” que cumprem o mesmo propósito sem ocupar um espaço dos golpes do seu Pokémon. Graças a isso, você pode se focar na composição do seu time e em golpes complementares ao invés de quebrar a cabeça para encaixar os HMs no meio do seu grupo de Pokémon.

Let’s Go também faz um trabalho bem melhor de guiar você pelo mundo e história. Depois de passar pelo Rock Tunnel nos games originais, você não é muito bem direcionado para visitar Lavender, Celadon, Fuschia e Saffron, o que poderia acarretar em algumas batalhas de Ginásio fora de ordem.

Era fácil perder itens importantes e acabar enfrentando Pokémon mais fortes que os seus próprios, o que levava a um frustrante retrocesso com pouca noção do que se fazer depois. Apesar de você ainda poder completar algumas coisas fora de ordem, Let’s Go garante que você não perca nada crucial.

Por exemplo, depois de derrotar Erika na cidade de Celadon, um personagem dá a você um item chave que deixa você entrar na cidade de Saffron. Anteriormente, você tinha que comprar uma bebida de uma máquina de refrigerantes no topo de uma loja de departamentos e dar para um guarda da cidade. Se você falhasse em fazer isso, não poderia batalhar com o sexto Líder de Ginásio.

Mas uma das mudanças fundamentais de Let’s Go é a forma de capturar Pokémon. Ao invés de encontros aleatórios e batalhas com monstrinhos selvagens dos jogos anteriores, Let’s Go adota as mecânicas de captura de Pokémon Go. Pokémon andam pela selva em tempo real e você tem que andar até eles para poder capturá-los. Por isso, em vez de batalhar para diminuir a vida, você só precisa jogar uma Pokébola no monstrinho. O tempo e precisão da sua jogada, porém, aumentam suas chances de uma captura certeira.

Let’s Go também te encoraja a capturar Pokémon mais do que qualquer outro jogo da franquia principal, e ele é melhor por isso. Claro, pegar todos sempre foi o objetivo principal, mas nunca me senti tão determinado a completar minha Pokédex. Capturar Pokémon é a forma mais eficiente de subir de nível, e cada captura bem sucedida dá ao seu time uma dose generosa de experiência. Isso ameniza a necessidade de perder tempo treinando e facilita os testes de times com diferentes composições.

No entanto, o novo sistema de captura tem problemas. Os controles dos Joy-Cons são imprecisos e imprevisíveis. Durante minha jornada, não encontrei uma forma certeira de jogar a Pokébola para a direita ou para esquerda. Na maioria dos casos, só esperava o Pokémon selvagem voltar ao meio da tela antes de jogar a Pokébola. Mesmo assim, a bola nem sempre ia onde eu havia mirado.

O controle Pokéball Plus, acessório opcional no formato de uma Pokébola, é um pouco mais preciso, mas o fato de ter somente dois botões dificulta a navegação pelos menus e a interação com o mundo.

Apesar de ser revigorante ver Kanto em uma tela grande, o modo portátil é a melhor forma de capturar Pokémon selvagem. Você pode tanto usar o giroscópio do Switch ou o analógico esquerdo para mirar o lançamento. Ele é bem mais preciso que os outros métodos, mas você deve considerar o tamanho do Pokémon e a distância.

Apesar das mudanças fazerem dessa a experiência Pokémon mais acessível de todas, Let’s Go é surpreendentemente profundo. O game faz um excelente trabalho em ajudar novos jogadores a aprender mecânicas mais complexas sem que eles fiquem presos em tutoriais.

Cada Pokémon ainda possui seis atributos básicos em uma das 25 naturezas, e o jogo apresenta toda essa informação. Por exemplo, sempre que você trocar de Pokémon durante uma batalha, Let’s Go exibe suas características. Você pode passar o jogo inteiro sem prestar atenção às estatísticas de um Pokémon, mas é útil ver as informações apresentadas com clareza e frequência.

Logo no início, você ainda tem a capacidade de “julgar” um Pokémon, o que lhe permite ver suas estatísticas básicas (também chamadas de IVs). Enquanto isso pode não ser super útil para iniciantes, a opção é apresentada de uma maneira fácil de entender e que dá aos veteranos a oportunidade de checar Pokémon com bons atributos desde o início.

Infelizmente, aqueles que investem no lado competitivo de Pokémon não terão muito espaço para cravar seus dentes. A ausência de habilidades, itens mantidos e reprodução de Pokémon limita o potencial para um jogo altamente competitivo. Você pode cultivar Pokémon com atributos mais altos por meio de combos de captura, bônus garantido ao obter vários monstrinhos iguais em sequência. Mas mesmo ao conseguir capturar um Pokémon com os status desejados, você não terá muito o que fazer com isso. Os recursos online são limitados e não há pareamento de batalhas, ou partidas rankeadas, para testar suas habilidades.

Os recursos de troca também são escassos. O Sistema Global de Trocas é inexistente e não há Wonder Trading; você pode trocar e lutar online e localmente com amigos e é isso. Os recursos de troca podem ser decepcionantes no começo, mas dada a lista menor de Pokémon, nunca senti que eu precisava do GTS ou Wonder Trade para completar a Pokédex.

Isso também vale para o Go Park, área compatível com Pokémon Go que permite transferir qualquer Pokémon de primeira geração que você tenha de um jogo para o outro. É um recurso útil especialmente se você está tendo problemas para obter Pokémon de uma versão exclusiva, mas você pode facilmente completar  Pokédex sem ele.

Sem a mecânica competitiva que os fãs estão acostumados e com a Pokédex limitada, pode ser difícil voltar a Let’s Go após o rolar dos créditos. Embora certamente haja razões para revisitar Kanto depois de terminar o jogo, como completar a Pokédex e procurar Pokémon com status perfeitos, a atração não é tão forte. Não há muito mais surpresas.

Apesar dessas concessões, Pokemon: Let’s Go, Pikachu! e Let’s Go, Eevee! são deliciosas reinterpretações das origens da série e um profundo RPG por si só. Ele faz muitas melhorias inteligentes nos originais Red, Blue e Yellow, ao mesmo tempo que mantém o que os tornou tão especiais pra começo de conversa. Os fãs da série podem se decepcionar com a falta de recursos, mas Let’s Go, Pikachu! e Let’s Go, Eevee! levam a fórmula Pokemon por divertidos novos caminhos.

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3 0
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Pontos Positivos
Bonita apresentação e trilha sonora cativante.
Novas mecânicas de captura deixam o mundo vivo e mais divertido de se explorar.
Ausência de HMs e um melhor direcionamento no mundo do jogo melhoram a experiência.
Pontos Negativos
Controles são bem imprecisos e inconsistentes.
Falta de modo online e competitivo limitam a experiência pós-aventura.
8
Bom
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Pokemon: Let’s Go, Pikachu! / Pokemon: Let’s Go, Eevee!

  • Data de Lançamento: 16 de novembro, 2018
    • Switch
    Regresse à região de Kanto e viva uma clássica aventura Pokémon de uma forma totalmente nova com Pokémon: Let's Go, Pikachu! e Pokémon: Let's Go, Eevee
    Desenvolvedora:
    Game Freak
    Publisher:
    Nintendo, The Pokémon Company
    Gênero(s):
    RPG
    Pendente