REVIEW

Pokémon Sword/Shield review — Uma celebração de gala sem todos os convidados

  • Data de Lançamento: 15/11/2019
  • Data do Review: 20 de novembro, 2019
  • Switch

Infelizmente não dá mais para capturar todos eles.

por Pedro Scapin | @PedroScapin17 em 20 de novembro, 2019

Pokémon é uma franquia muito querida para mim, e caminha comigo desde que me entendo por gente. Ainda lembro do dia em que ganhei o meu primeiro Game Boy – daquela edição especial de Pokémon Gold/Silver, que alternava entre as cores dourada e prateada conforme você mexia com ele – acompanhado de uma fita de Pokémon Crystal, e de como fui feliz com aquele jogo por centenas de horas.

A chegada de um RPG tradicional de Pokémon ao um console de mesa da Nintendo é algo muito aguardado pelos fãs, e Sword e Shield chegaram com uma tremenda responsabilidade, muita expectativa, e algumas críticas feitas antes mesmo de serem lançados.

Passei cerca de 45 horas com Pokémon Sword/Shield, e foi muito difícil largar o Switch entre uma jogatina e outra. Me aventurar por Galar ao lado de Scorbunny e o resto da minha equipe me fez sentir coisas que a franquia não conseguiu com Sun/Moon: uma verdadeira felicidade por estar simplesmente jogando Pokémon, uma implacável ansiedade pelo próxima criatura descoberta e a pulsação mais forte na hora de encarar um líder de ginásio.

Pokémon Sword Shield

Com tudo isso que Sword/Shield foram capazes de fazer, é uma enorme lástima a decisão tomada pela GameFreak em cortar mais da metade dos Pokémon já criados, evidenciando uma falha naquilo que poderia ter sido um jogo perfeito.

Pokémon Sword/Shield se passam na região de Galar, um lindo local inspirando no Reino Unido, e lar de tradições bem particulares. A principal delas é o fenômeno conhecido por Dynamax (Gigantamax em certos casos), usado em batalhas pontuais para aumentar drasticamente o tamanho dos Pokémon, e dando a eles novas e poderosas habilidades para usarem em combate.

As batalhas onde podemos usar Dynamax/Gigantamax se restringem a duas situações. A primeira delas acontece nos confrontos diante de líderes de ginásio, onde ambos os treinadores podem usar a nova técnica em apenas um Pokémon, e por apenas três rodadas, o que cria um novo elemento de estratégia para os duelos.

O segundo cenário onde Dynamax/Gigantamax são possíveis é nas Max Raid Battles – confrontos de 4×1 inspirados na mecânica similar presente em Pokémon Go. Aqui o desafio é bem maior, e as criaturas afetadas passam a batalha inteira sob efeito do fenômeno de Galar. Sem dúvidas foram alguns dos momentos mais divertidos de Sword/Shield.

Pokémon Sword Shield Dynamax

O que não muda em ambas as situações é a magnitude e o esplendor das batalhas com Dynamax/Gigantamax. Os duelos são – com o perdão do trocadilho – grandiosos, e todas as técnicas inerentes do fenômeno são mostradas de maneira belíssima, tanto nos ginásios de Galar, quanto nas Max Raid Battles.

Aproveitando o gancho, as Max Raid Battles ficam abrigadas na maior e mais interessante novidade de Sword/Shield: A Wild Area. Trata-se de um enorme ecossistema que se alastra pelo coração de Galar, e é habitada por centenas de espécies de Pokémon. Imagine um Safari Zone sem limite de tempo.

A exploração da Wild Area fica disponível muito cedo na história de Sword/Shield, e cada uma de suas muitas áreas é um bioma diferente composto por Pokémon de diferentes espécies e níveis, levando ao jogador a possibilidade de enfrentar e capturar criaturas por toda a sua aventura. E os encontros variam de acordo com a hora do dia e o clima presente em um determinado local, trazendo ainda mais variedade e mais motivos para novas visitas à Wild Area.

A satisfação de ver um poderoso Tyranitar vagando na sua frente relativamente no início de sua jornada (e fugir dele porque seu time é claramente inferior), e imaginar o momento quando será possível capturá-lo é algo que fez meu sangue de treinador correr mais rápido. Que a Wild Area seja o primeiro passo em direção a um Pokémon de mundo aberto que tanto queremos.

Pokémon Sword Shield

Mas é exatamente essa emoção que contrasta diretamente com a única coisa que me desagradou em Sword/Shield: a falta da National Dex e a subsequente redução do número total de Pokémon presentes nos games.

Não estou falando em um corte de 100 ou 200 Pokémon, mas de mais da metade das cerca de 900 criaturas existentes na franquia. Galar possui apenas 400 registros em sua Pokédex, e isso é uma verdadeira facada no próprio slogan da franquia, que sempre nos instigou a capturar todos eles.

Eu não poderia encerrar esse review sem falar sobre a trilha sonora de Pokémon Sword/Shield. Os jogos da franquia tradicionalmente deixam suas músicas em nossas cabeças, mas as canções que nos acompanham em Galar ultrapassam a barreira do Switch e não é raro se pegar cantarolando uma delas enquanto toma banho ou encara um trânsito.

No fim, Sword e Shield são games extremamente empolgantes e desafiadores, capazes de evocar sensações que os fãs mais antigos da franquia tiveram com jogos passados, e dignos de todos os méritos por não terem medo de inovar e renovar uma fórmula de tanto sucesso. Uma pena que nem todos os Pokémon foram capazes de ver isso de perto.

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6 0
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Pontos Positivos
Dynamax/Gigantamax criam batalhas esplendorosas.
Wild Area pode ser o primeiro passo em direção a um Pokémon de mundo aberto.
Max Raid Battles desafiam os treinadores mais experientes.
Galar é belíssima e composta por cenários variados.
Trilha sonora que gruda na cabeça.
Pontos Negativos
Apenas 400 Pokémon disponíveis.
9
Muito Bom

Sobre o Autor

Pedro Scapin | @PedroScapin17

Desde sempre com um controle de videogame nas mãos, fã de Bloodborne, viciado em FPS e jogos de esporte, e órfão de sua fita de Pokémon Crystal.

Twitter e Instagram: @PedroScapin17

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Pokémon Sword e Pokémon Shield

  • Data de Lançamento: Pendente
    • Switch
    Desenvolvedora:
    Game Freak
    Publisher:
    Nintendo
    Gênero(s):
    RPG
    Pendente