REVIEW

Rage 2 review — Terra Desperdiçada

  • Data de Lançamento: 14/05/2019
  • Data do Review: 14 de Maio, 2019
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Tome controle dos meios de destruição.

por Michael Higham em 13 de maio, 2019

traduzido por Pedro Scapin | @PedroScapin17 em 14 de Maio, 2019

Em certo ponto de Rage 2, você se torna uma força imbatível. Um lobo solitário capaz de derrotar acampamentos de bandidos, monstros 10 vezes maiores que você e hordas de humanoides deformados – e tudo isso usando suas armas e habilidades destrutivas e agradáveis. Seus superpoderes não são apenas divertidos, mas a chave para estabelecer momentos empolgantes. Pena que o jogo não faz o suficiente para manter esse ritmo.

Rage 2 não gasta muito tempo tentando explicar por que as coisas são do jeito que são. Ao invés disso, ele te lança em um mundo aberto relativamente cheio de coisas para fazer e lugares para ir. Além de bandidos, mutantes e monstros, tem a organização do mal, a Autoridade, que devastou sua cidade.

Rage 2

E como o último dos Rangers, soldados de elite que usam roupas com superpoderes, cabe a você encontrar três personagens importantes, realizar suas missões e concluir o Projeto Adaga, uma arma biológica que deve ser usada para matar o aparentemente imortal General Cross, tirano à frente da Autoridade.

E não importa quem é quem, você só precisa destruir quem for hostil. Você é apenas parcialmente “super” no começo do game, mas a ascensão gradual ao status de herói é recompensadora já que você acumula uma coleção devastadora de brinquedos.

Arcas espalhadas pelo mapa desbloqueiam poderes chamados de nanotritos e armas cheias de funções. E essas ferramentas pavimentam o caminho para abordagens dinâmicas diante de intensos cenários de combate.

Os nanotritos podem ser usados individualmente ou em sequência, criando habilidades diversas, mas fáceis de entender, que destroem os inimigos de maneira eficiente. Por exemplo, um deles é um golpe no chão que causa dano em área. Outro, despedaça armaduras. Quando combinados com uma escopeta com lança-foguetes, é possível criar situações devastadoras.

Rage 2

Ao alcançar uma sequência de abates, você pode entrar em um estado temporário de invulnerabilidade em que suas armas causam ainda mais dano. E com todas essas habilidades, não é preciso ficar preso a uma tática só. É fácil ver paralelos com jogos mais modernos, como Doom e Wolfenstein, mas Rage 2 se destaca pela quantidade de coisas que se tem ao dispor e como tudo é tão intuitivo.

Você evolui constantemente seu arsenal por meio de árvores de upgrades. E não se trata apenas de melhorar o dano de uma arma ou aumentar sua saúde. Os nanotritos podem ser úteis na redução de cooldowns, em aumentar a mira e outros efeitos adicionais.

As armas também possuem perks e acessórios especiais que aplicam ainda mais melhorias além de suas outras capacidades. Aprimorando todas essas facetas pode mudar fundamentalmente a maneira com a qual você age, criando novas e devastadoras aproximações aos combates.

Mas o que falta em Rage 2 são oportunidades de usar tudo isso. A estrutura da campanha principal fica clara desde o início: faça uma missão para cada um dos três líderes, preencha um medidor de confiança completando atividades secundárias correspondentes, e então complete mais uma missão para cada um antes do gran finale.

Rage 2

Não parece muita coisa… porque não é. Algumas dessas missões são responsáveis por parte dos melhores momentos do jogo, mas as sequências de combate acabam na hora em que você entra no ritmo delas. E a linha de objetivos principais também.

Em uma das missões mais pro fim do jogo, por exemplo, você entra numa base com um enorme tanque de guerra e explode salas repletas de inimigos antes de encarar uma fera que não resiste a mais do que alguns poucos tiros.

E a sequência no tanque é essencialmente guiada, com salas de inimigos reciclados, e o monstro no final é o mesmo que você já enfrentou algumas vezes antes. Não há muita surpresa ou imaginação em uma missão da campanha que supostamente deveria levar a uma conclusão.

Somente em uma oportunidade a campanha me colocou numa posição onde pude ser criativo ou usar de maneira extensiva meus poderes. E foi na luta contra o chefe final.

Rage 2Os objetivos principais raramente usam o vasto mundo aberto que o jogo oferece. Existe uma selva ao norte e um grande deserto ao sudoeste, mas apenas uma missão nos leva a esses lugares.

Em nenhum ponto somos guiados a cidades centrais. Elas existem apenas para personagens secundários sem rosto te contarem mais sobre a localizações de objetivos paralelos, os quais você pode muito bem encontrar sem ajuda.

E essas missões secundárias entopem o terreno devastado de Rage 2, mas são extremamente genéricas, como eliminar um covil de bandidos. Poucas delas são interessantes, como as que nos fazem recuperar estações de recarga ao eliminar hordas de inimigos cada vez mais fortes. Esse é o tipo mais desafiador de missão e demanda todas as suas habilidades com poderes e armas, especialmente em dificuldades mais altas.

No entanto, chega uma hora em que você se pergunta por que está realizando esse tipo de coisa. Claro, você ganha dinheiro e materiais para realizar atualizações, mas é só por ganhar mesmo. O maior problema de Rage 2 é sua estrutura vazia: a maior parte do mapa é feita de atividades curtas e fragmentadas que dificilmente exigem muito de você e não levam a lugar algum.

Rage 2 também sofre com falta de carisma, o que é decepcionante para um mundo pós-apocalíptico. Ainda que impressione por começar numa atitude desvairada, o jogo infelizmente nunca atinge as expectativas.

Na verdade, a narrativa se transforma em uma série de interações com personagens sem graça que tornam a história desengonçada. Rage 2 tenta ser engraçado algumas vezes, mas sem êxito. E os arquétipos enlouquecidos do ambiente são rasos.

É como se o jogo tentasse criar um equilíbrio entre o comportamento desinteressado de Doom e as caracterizações exageradas de Wolfenstein, mas falhando em ambos os lados do espectro e acabando sem direção. O resultado é a falta de interesse naquilo que você está fazendo no mundo, sem uma linha que conecte as atividades do mundo aberto entre si.

Outros pequenos problemas podem ser frustrantes também, como as constantes notificações de recompensas e progresso que pausam o jogo e interrompem o ritmo. Para um jogo com combate tão acelerado, é estranha essa escolha de parar tudo pra dizer que você completou uma missão, mesmo que conversas estejam acontecendo. E os diálogos podem ser cortados no meio.

Rage 2

Passei um tempo após terminar o jogo voando com o girocóptero de uma missão secundária para outra enquanto sobrevoava a vastidão do mundo aberto de Rage 2.

É uma terra macabra com potencial para ser um enorme playground de oportunidades para você usar seu robusto conjunto de habilidades e armas. E às vezes o jogo me deu exatamente isso. Mas não pude deixar de pensar em como esse potencial foi pouco aproveitado.

Rage 2 funciona melhor quando você tem a chance de manter o ritmo de combate lá em cima, mas o game tem problemas em estabelecer os cenários que seus combates merecem. É um jogo satisfatório por conta dos poderes que estão à disposição, mas decepcionante pelo fato de ter muitas atividades rudimentares. E as poucas que são decentes, acabam muito antes de você aproveitá-las ao máximo.

Acompanhe o GameSpot Brasil no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Twitch.

5 0
Ver comentários ()

Rage 2 / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Variedade de habilidades inteligentes e criativas tornam o combate divertido.
Árvores de upgrade trazem melhorias significativas aos poderes.
Pontos Negativos
Missões principais acabam rápido demais e não usam boa parte do mundo.
Narrativa abaixo do esperado e personagens rasos.
Pouquíssimas oportunidades de usar seus superpoderes.
Atividades secundárias têm pouca consequência.
6
Regular
Participe da Conversa

Rage 2

  • Data de Lançamento: 14 de maio, 2019
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    Desenvolvedora:
    id Software, Avalanche Studios
    Publisher:
    Bethesda Softworks
    Gênero(s):
    Mundo Aberto, Tiro em Primeira Pessoa
    16 anos
    Violência, Linguagem Imprópria, Sangue, Uso de Drogas e Álcool