REVIEW

Soul Calibur VI review — Um retorno triunfal

  • Data de Lançamento: 19/10/2018
  • Data do Review: 19 de outubro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Xbox One

Contra com espadas, machados e lanças volta com tudo.

por Gabriel Oliveira em 19 de outubro, 2018

O reboot que a série merecia e precisava, com um gameplay dinâmico, veloz, extremamente divertido e um elenco que oferece o melhor da sua história. Assim pode ser resumido Soul Calibur VI, primeiro título da clássica franquia de games de luta da Bandai Namco para a atual geração de consoles.

A desenvolvedora Project Soul tinha a responsabilidade de apagar o gosto amargo que ficou na boca dos fãs com o controverso Soul Calibur V – e o resultado é o melhor e mais completo jogo da série.

O sistema de combate de Soul Calibur VI é justo, refina mecânicas de jogos anteriores e, de quebra, impede um dos pontos mais irritantes para novatos nos jogos de luta: os combos que tiram de uma só vez de 70% a 80% da barra de vida.

Já a história principal aposta num arroz com feijão bem feito. Os protagonistas e coadjuvantes são bem definidos, a trama é explicada sem grandes rodeios e as jornadas individuais de cada personagem complementam bem o que ocorre paralelamente ao enredo principal.

Nada que se compare ao nível de detalhe de jogos recentes da NetherRealm, como Mortal Kombat X e Injustice 2, mas ainda assim um trabalho bastante digno.

A única falha grave de Soul Calibur VI é o enfadonho modo Libra das Almas, que insere um personagem criado pelo jogador no universo de Soul Calibur, mas que não empolga pela história extremamente arrastada, de muitos diálogos e pouca inspiração, e as séries de batalhas contra oponentes genéricos.

Nem mesmo a participação de personagens famosos da série salva a entediante campanha, que acaba soando como um apêndice desnecessário de um jogo que brilha de maneira surpreendente em todo o resto.

Diversão é palavra de ordem

Jogar Soul Calibur VI traz de volta aquela sensação gostosa de se reunir com um grupo de amigos e trocar golpes por horas e horas sem perceber o tempo passar.

Foi exatamente o que aconteceu durante os dois dias em que o jogo foi testado na redação do GameSpot Brasil. Pouco importa se você é um veterano ou novato na franquia: a curva de aprendizado do jogo é rápida e alguns combates são o suficiente para dominar o básico do sistema de luta.

O elenco variado, que é quase um dream team da série (não por acaso, nenhum personagem de Soul Calibur V participa do reboot), traz muitas possibilidades em termos de gameplay.

Lutadores de estilos totalmente diferentes podem ser igualmente efetivos em combate. Siegfried, por exemplo, continua arrancado boas lascas da barra de vida do adversário com a pesada espada Zweihänder, enquanto Maxi continua imprevisível com seus combos velozes.

Quem prefere controlar a luta à média distância, vai encontrar em Kilik e Seong-Mina ótimas opções. Enquanto Sophitia é ideal para quem prefere fazer uma luta de pressão à curta distância.

A movimentação totalmente tridimensional nas arenas está mais rápida do que nunca e é um fator fundamental para o sucesso nas lutas. Desviar de ataques no tempo certo cria uma abertura para contra-ataques que muitas vezes têm peso decisivo no combate. E com exceção de personagens extremamente pesados, como Astaroth, é quase sempre uma estratégia possível.

Outra tradição da série, o ring out aparece na maioria das arenas e permite viradas em momentos de grande desvantagem (o que, obviamente, costuma despertar os piores sentimentos no jogador que perde nessas circunstâncias).

As arenas fechadas, por outro lado, permitem que o jogador pressione o adversário contra a parede, o que exige de quem é encurralado a habilidade para se desviar ainda no chão e contra-atacar de maneira rápida.

Esses são ao fatores que tornam o gameplay do Soul Calibur tão divertido.

Nenhuma situação de desvantagem é irreversível. Os combos são sempre possíveis no jogo, mas ninguém é punido sem ter a chance de revidar. Tudo pode mudar em poucos segundos, desde que o jogador tenha a frieza necessária para entender os movimentos do adversário e encontrar uma brecha para assumir o controle do duelo.

Em termos de mecânicas de combate, a principal novidade é o Reversal Edge, recurso que faz os personagens se encararem em câmera lenta. O golpe funciona mais ou menos como os Focus Attacks de Street Fighter IV. Você carrega um golpe, aguenta um hit do oponente e, em seguida, chama para um duelo.

O vencedor é definido numa espécie de pedra, papel e tesoura, mas com mais possibilidades de resultado. No momento em que o duelo começa, os jogadores podem escolher entre ataque horizontal, ataque vertical, chute, defesa, deslocamento lateral, deslocamento para trás, agachamento e guard impact (botão de defesa mais direcional para frente). Cada combinação gera um tipo de resultado. E a importância da sorte para o resultado é o único aspecto negativo do gameplay.

Entre as funcionalidades que retornam a Soul Calibur VI, os Critical Edges (especiais dos personagens) estão muito mais cinematográficos (e balanceados) do que em Soul Calibur V. Agora, todos causam aproximadamente a mesma quantidade de dano, algo que variava muito de acordo com cada personagem no jogo anterior.

Já os Guard Impacts, que permitem bloquear o golpe adversário e dar alguns frames de vantagem para um contra-ataque, agora exigem um tempo de execução muito mais preciso e mais cautela, pois um erro pode oferecer ao adversário a abertura necessária para iniciar um combo.

Bem-vindos, novatos!

Apesar de serem novatos na franquia, parece que Grøh, Azwel e Geralt sempre fizeram parte desse universo. Grøh manipula uma espada de lâmina dupla e traz um estilo de jogo que mescla boa mobilidade e combos rápidos mesmo usando uma arma de peso intermediário.

Já Azwel, que mais parece um Shang Tsung do mundo de Soul Calibur, é capaz de conjurar lâminas dimensionais e, por incrível de pareça, está longe de ser um personagem lento e controlador de distância. Os ataques de Azwel têm preparação curta e podem surpreender quem estiver de guarda baixa.

Geralt, por sua vez, é um personagem que balanceia velocidade e força e tem no Igni, as chamas que o bruxo conjura com as mãos, seu grande diferencial no gameplay. Embora não cause enormes quantidades de dano, a técnica funciona bem quando combinada com ataques de espada e é um eficaz hit adicional num combo aéreo. Isso mostra que a Project Soul caprichou ao adaptar o “bruxeiro” ao universo de Soul Calibur.

De volta ao básico

É quase um consenso entre comunidade e crítica que os dois primeiros episódios de Soul Calibur são os mais marcantes da série. Enquanto Soul Calibur V, que fez a proeza de reunir um dos elencos menos carismáticos da história dos jogos de luta, é o pior deles. Ciente disso, a Project Soul resolveu reunir os personagens mais queridos num game cujos eventos se passam após os acontecimentos de Soul Edge – sim, aquele título lançado lá em 1996 nos fliperamas e no primeiro PlayStation.

Um dos principais acertos de Soul Calibur VI foi estabelecer um único personagem como grande protagonista (evitaremos dar spoilers), que tem como objetivo destruir a espada maligna Soul Edge, cuja energia se espalhou pelo mundo e transformou vários cidadãos em malfestados, criaturas movidas por ódio e instinto assassino.

Em diversos momentos, fica claro que houve menos verba para a Project Soul investir em cenas cinematográficas, algo que há de sobra em Tekken, por exemplo. A história é narrada majoritariamente por meio de (muitos) textos e (belas) ilustrações, mas os combates que intercalam esses momentos dão ritmo à trama e evitam uma narrativa arrastada.

O problema é que o próprio protagonista tem dentro de si uma dessas sementes do mal. E sua jornada consiste também em manter o auto-controle para não matar pessoas inocentes, o que inclui dois amigos que o acompanham durante a trama. Além disso, vários guerreiros ouviram falar do poder da Soul Edge e desejam tomar para si a espada maligna.

Se a história não brilha pela criatividade, os eventos ao menos são narrados de maneira bastante coerente. Até mesmo Geralt de Rivia surge no mundo de Soul Calibur com uma explicação convincente, levando em consideração que as duas franquias se passam em mundos totalmente separados.

Além disso, o modo de história individual de cada personagem complementa bem a história principal. Conseguimos entender melhor como e por que vários personagens cruzam o caminho do protagonista em momentos distintos da trama.

Levando-se em consideração que muitos jogos do gênero costumam apostar em explicações mirabolantes apenas para justificar a presença de personagens no jogo, a Project Soul se sai bem nessa missão, mesmo trabalhando de forma simples.

A pedra no sapato

Soul Calibur VI acerta em quase tudo que se propõe a fazer, mas nem mesmo o gameplay extremamente divertido e a história bem contada conseguem apagar má impressão do modo Libra das Almas.

Ao investir na imersão do jogador, permitindo que ele crie um personagem com história própria, a Project Soul narra uma trama chata, distante e repleta de lutas que não empolgam contra personagens genéricos.

Embora ofereça diversas opções de personalização, desde a aparência até a escolha do estilo de luta (que sempre replica o de algum personagem do jogo), e uma evolução de armas e equipamentos que lembram um RPG, Libra das Almas nunca empolga. A impressão que fica é que o time de desenvolvimento tinha a intenção de fazer algo grandioso, mas o projeto acabou miando no meio do caminho.

Em linhas gerais, seu personagem é contaminado por uma das sementes do mal da Soul Edge, mas é salvo por Zasalamel. Como o risco de morte ainda é iminente, você precisa correr pelo mundo em busca de fendas dimensionais abertas pela Soul Edge que, de alguma forma, possam prolongar sua vida. Durante essa jornada, você também vai unir forças com alguns personagens do jogo, como Maxi e Mitsurugi, e participar de missões secundárias.

Se a proposta fosse bem executada, Libra das Almas até poderia ser um acréscimo interessante, mas a tentativa de misturar o jogo de luta com um RPG não funciona. A evolução do personagem consiste, basicamente, em vencer batalhas para subir de nível e desbloquear novas armas.

O modo de jogo nos dá a opção de fazer o personagem pender mais para o lado da luz ou das sombras, mas as situações apresentadas na história são quase tão entediantes quanto a maioria das lutas, principalmente nas missões secundárias.

Ao longo da campanha, você tem a opção de, por exemplo, ajudar crianças de um vilarejo que estão perdidas e, no meio do caminho, travar batalhas com inimigos cuja única motivação parece ser encontrar uma razão qualquer para brigar – e não estamos falando dos malfestados.

Para piorar, as lutas são majoritariamente com personagens cujos visuais parecem versões criadas preguiçosamente em Libra das Almas. Desse modo, é impossível não lamentar que um dos modos mais alardeados de Soul Calibur VI seja justamente o ponto baixo do jogo.

Um retorno em boa hora

Após um bom tempo sem produzir um jogo realmente marcante, Soul Calibur retorna em sua melhor forma com um gameplay marcado pela versatilidade, diversão e acessibilidade – até mesmo para quem nunca experimentou um game da franquia. A Project Soul acerta ao apostar num elenco mais enxuto (até o momento, 22 personagens estão confirmados), mas com todas as figuras marcantes da série.

O básico das mecânicas de combate é aprendido rapidamente e a movimentação pelas arenas de luta é a melhor já vista na franquia. A história do jogo reapresenta a mitologia de Soul Calibur de forma um pouco diferente, mas fixa bem os alicerces para a sequência da série. A expectativa agora gira em torno do futuro de personagens que já são conhecidos, mas que podem tomar rumos bem diferentes do que vimos até Soul Calibur V.

O único lamento fica por conta do Libra das Almas, um modo de jogo desnecessário e mal executado que falha tanto em contar uma boa história quanto em oferecer combates interessantes. Ainda assim, Soul Calibur VI se estabelece como o melhor jogo da série e um dos melhores jogos de luta da geração.

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SoulCalibur VI / PC, PlayStation 4, Xbox One

Pontos Positivos
Gameplay é veloz e extremamente divertido.
Elenco reúne os melhores personagens da série.
Reboot traz história bem contada e dá nova vida à franquia.
Novos personagens se mostram bem adequados ao sistema de combate.
Lutas são dinâmicas e permitem reviravoltas a todo momento.
Pontos Negativos
Modo Libra das Almas traz história arrastada e combates entediantes.
9
Muito Bom

Sobre o Autor

Gabriel Oliveira

Jornalista fã de JRPGs, quadrinhos, mangás e Harry Potter. Entrei no mundo dos games com um Super Nintendo e ainda espero, provavelmente em vão, por uma sequência da série Chrono.

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SoulCalibur VI

  • Data de Lançamento: 18 de Outubro, 2018
    • PC
    • PlayStation 4
    • Xbox One
    SoulCalibur VI marca o retorno da tradicional franquia de luta da Bandai Namco.
    Desenvolvedora:
    Bandai Namco
    Publisher:
    Bandai Namco Games
    Gênero(s):
    Ação, Luta, 3D
    Pendente