REVIEW

The Messenger review — Afiado como uma shuriken

  • Data de Lançamento: 30/08/2018
  • Data do Review: 10 de dezembro, 2018
  • PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Passos leves.

por Alexander Pan em 20 de agosto, 2018

traduzido por Pedro Scapin | @PedroScapin17 em 10 de dezembro, 2018

É evidente, logo de cara, que The Messenger é altamente influenciado – estética e mecanicamente – pela clássica série Ninja Gaiden. Mas também é rapidamente evidente que o jogo não é uma simples cópia: ele também traz uma nova pegada para o gênero de ação e plataforma.

Você joga como um jovem guerreiro ninja encarregado de levar um pergaminho sagrado ao topo de uma montanha após sua vila ter sido atacada por demônios. Não é exatamente uma ideia original, mas The Messenger deixa de lado o tom mais sério para apostar em um lado mais humorado, brincando frequentemente com metáforas do gênero por meio de conversas do ninja com vários personagens.

O excelente roteiro mantém as coisas alegres e renovadas, com piadas e referências à cultura pop intercaladas com uma narrativa ambiciosa, inteligente e uma mecânica de viagem no tempo que se liga ao sistema de gameplay.

As habilidades iniciais do ninja são limitadas, mas elas se expandem para incluir coisas como escalar paredes e planar no ar, além de técnicas opcionais como uma shuriken bumerangue. O mais interessante é que The Messenger substitui o clássico salto duplo com algo chamado “cloudstepping”, uma skill que só permite o double jump após você acertar um golpe em um inimigo ou objeto no ar.

Isso significa que você não pode usar o pulo duplo em qualquer lugar. Habilidade e timing são elementos adicionados a procedimentos padrão e é possível voar pelo mapa com o “cloudstepping” se você encaixar uma boa sequência. Porém, um golpe errado pode te derrubar em um poço sem fim. É muito prazeroso acertar um “cloudstepping” perfeito, e os controles são impressionantemente responsivos às suas necessidades.

Essa mecânica de risco e recompensa é complementada pelo design inteligente de The Messenger. Quase toda fase é desenvolvida de maneira que possa ser atravessada com diferentes abordagens. E a exploração é encorajada em cada esquina. Você pode percorrer a rota mais direta ou tentar um caminho mais complicado usando o “cloudstepping” e, no fim, obter recompensas melhores.

The Messenger começa relativamente fácil, mas o nível de dificuldade aumenta rapidamente conforme você ganha novas habilidades. Obstáculos mais difíceis são introduzidos e o jogo te força a tirar o melhor de suas skills para acompanhar as mudanças. Morrer é comum, mas o ritmo nunca cai graças a generosos checkpoints, o que permite aprender rapidamente com seus erros e melhorar sua memória muscular.

Em momento algum The Messenger é sufocante ou fácil demais, e seu ritmo e sua curva de dificuldade são bem balanceadas. É satisfatório demais encontrar um segredo, superar um obstáculo ou derrotar um chefão.

The Messenger também possui uma grande surpresa. Enquanto que a primeira metade do jogo é de ação/plataforma linear, na outra, a narrativa do game se expande, desbloqueando as viagens no tempo. A estética muda de um vibrante 8-bits para um estilo de arte ainda mais bonito em 16-bits, com cenários ricos, uma paleta de cores mais variada e um processamento de áudio mais avançado que contrasta com a trilha sonora chiptune de até então.

Além disso, partes do mapa e algumas mecânicas vão se tornando disponíveis ao melhor estilo Metroidvania, incluindo uma habilidade que te permite alternar entre eras. Uma dimensão totalmente nova de quebra-cabeças se abre, criando ainda mais oportunidades tentadoras de exploração. Você precisará ir e voltar frequentemente para contornar os obstáculos físicos de uma fase em cada zona temporal. É algo simples, mas criativo e esteticamente impressionante. E funciona muito bem.

A única coisa que se torna uma distração nesse ponto é o número limitado de tipos de inimigos. Encontrar e matar os mesmos monstros vez após vez pode acabar sendo entediante. E ainda que as 20 horas de viagens no tempo e batalhas de espadas levem a um clímax apropriado, o game tem um final repentino que acaba com qualquer noção de encerramento.

The Messenger pega as melhores partes dos jogos de ação e plataforma da onde busca inspiração e as reinterpreta muito bem. Com um roteiro inteligente, fases com bom design e uma curva de dificuldade balanceada, o game te prende com desafios de habilidade e recompensas satisfatórias. Seu personagem precisa transportar imediatamente um pergaminho que irá salvar o mundo, mas a jornada até lá definitivamente é saborosa.

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2 0
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The Messenger / PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Pontos Positivos
Habilidades satisfatórias e responsivas combinadas com uma curva de dificuldade bem balanceada.
Estéticas 8 e 16-bits são vibrantes e capturam perfeitamente o feeling de suas influências.
Roteiro interessante cheio de piadas.
Uma mistura brilhante dos gêneros de ação, plataforma e Metroidvania.
Viagem no tempo é uma mecânica inteligente para a narrativa.
Pontos Negativos
Variedade limitada de inimigos.
Final repentino.
8
Bom
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The Messenger

  • Data de Lançamento: 30 de agosto, 2018
    • PC
    • Switch
    Inspirado em jogos da série Ninja Gaiden e em outros clássicos de ação e plataforma das gerações de 8 e 16-bits, The Messenger é ambientado em mundo invadido por um exército demoníaco, e cabe a um jovem ninja iniciar sua jornada por um mundo amaldiçoado para entregar um pergaminho fundamental para a sobrevivência de seu clã.
    Desenvolvedora:
    Sabotage Studios
    Publisher:
    Devolver Digital
    Gênero(s):
    Ação, Plataforma
    10 anos
    Violência