Suzano: “Garotada é viciada em jogos violentos”, diz general Mourão

Comentário do vice-presidente da República foi feito após massacre com 10 mortes na Grande São Paulo.

Após a tragédia desta quarta-feira (13) que deixou 10 mortos em Suzano, na Grande São Paulo (via G1), o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, disse que “a garotada está viciada em jogos violentos”.

Só isso que fazem. Quando eu era criança e adolescente, jogava bola, soltava pipa, jogava bola de gude, hoje não vemos mais essas coisas. É isso que temos que estar preocupados. Lamento profundamente o que ocorreu”, disse o vice-presidente.

A declaração de Mourão aconteceu após um adolescente de 17 anos e um homem de 25 atirarem e matarem sete pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). O tio de um deles também foi morto numa locadora de carros próxima. Após o massacre, o adolescente de 17 anos matou o homem de 25 e depois se suicidou.

Ao falar sobre a tragédia, Mourão também relembrou o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, onde um ex-aluno matou 12 pessoas em 2011.

Foto do General Mourão“Por que isso está acontecendo? Essas coisas não aconteciam no Brasil, ocorriam em outros países. Hoje, pai e mãe são obrigados a trabalhar pelas exigências da sociedade moderna, nos faltam escolas de tempo integral, onde a criança fique mais tempo”, completou o vice-presidente.

Mourão também negou qualquer relação do massacre de Suzano com a flexibilização da posse de arma de fogo no Brasil, que teve um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro de 2019.

Não tem nada a ver” com o caso, comentou. “Vai dizer que a arma que os caras tinham lá era legal?”

Pesquisa nega relação entre games e violência

Em fevereiro de 2019, o Oxford Internet Institute, departamento da Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicou uma pesquisa que nega a relação entre games e ataques violentos promovidos por jovens.

Os resultados dos estudos foram divulgados na revista científica Royal Society Open Science. Segundo os pesquisadores, não há nenhum indício real de que jogos influenciem ataques como o promovido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano.

Durante o estudo, os pesquisadores ouviram jovens, pais e cuidadores para determinar possíveis traços de agressividade de crianças e adolescentes relacionados aos games.

A ideia de que videogames levam a agressões no mundo real é popular, mas isso não se comprovou com passar do tempo”, disse o diretor do Oxford Internet Institute e coordenador da pesquisa, Andrew Przybylski.

“Nossas descobertas sugerem que o preconceito de pesquisadores pode ter influenciado o resultado de estudos anteriores e distorcido a compreensão do efeito dos videogames [na violência praticada por jovens]”, disse a doutora Netta Weinstein, professora da Universidade de Cardiff e co-autora da pesquisa.

Ao todo, 2008 jovens entre 14 e 15 anos de idade foram ouvidos para falar de suas personalidades e comportamento dentro dos games durante janeiro de 2019. Já os responsáveis pelos adolescentes responderam a um questionário sobre possíveis comportamentos agressivos dos jovens.

Além dos questionários, os pesquisadores cruzaram a impressão dos adolescentes a respeito dos jogos com suas respectivas classificações indicativas na Europa e nos Estados Unidos.

Ataques em massa são anteriores aos games

Os primeiros registros de atentados em escolas e universidades datam de muito antes do surgimento dos games. E a maioria dos registros conhecidos aconteceu nos Estados Unidos.

Em 30 de março de 1891, um ataque na escola Parson Hill, no estado do Mississipi, deixou 14 pessoas feridas, entre estudantes, professores e pais de alunos.

Em dezembro de 1898, um grupo de jovens promoveu um ataque em uma escola na cidade de Charleston, na Virgínia Ocidental, durante uma performance dos estudantes. Ao todo, seis pessoas morreram durante o ataque.

Em fevereiro de 1922, John Glover invadiu uma escola na cidade de Valdosta, na Georgia, matou uma menina e feriu gravemente um menino. Após fugir do local, ele foi morto a 11 km do local do crime, na região de Indianola.

Em março de 1951, duas pessoas morreram durante um ataque à Alexander School, na cidade de Union Mills, na Carolina do Norte.

Já em 1º agosto de 1966, aconteceu um dos primeiros tiroteios em massa com grande repercussão internacional. Naquele dia, o estudante de arquitetura Charles Whitman, de 25 anos, matou a mãe, a mulher e outras 15 pessoas na Universidade do Texas. Após cometer os assassinatos, ele foi morto pela polícia.

Acompanhe o GameSpot Brasil no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Twitch.

Arquivado em:
PC, PlayStation 4, Switch, Xbox One

Tem uma sugestão de notícia? E-mail: sugestoes@gamespot.com.br

5 0
Ver comentários ()
Participe da Conversa